Economia

Dólar segue em queda com exterior, apesar de ação do BC; Bolsa recua

A sinalização de que a alta dos juros americanos será gradual continua a pressionar o dólar para baixo frente a outras moedas nesta sexta-feira (29). No mercado local, com o dólar abaixo de R$ 3,50, o Banco Central realizou os primeiros leilões de swap cambial reverso na semana. Mesmo assim, o dólar continua a cair ante o real, para o patamar de R$ 3,45, o menor desde agosto.

O Ibovespa opera em baixa, acompanhando seus pares no exterior, que reagem a temores renovados de desaceleração global. As ações da Petrobras recuam, influenciadas pelos preços do petróleo no mercado internacional. Já os juros futuros têm leve alta no curto prazo e recuam no longo prazo.

Depois de ter ficado abaixo de R$ 3,43 mais cedo, o dólar à vista recuava há pouco 0,80%, a R$ 3,4547. O dólar comercial perdia 1,22%, a R$ 3,4560.

Pela primeira vez na semana, o BC voltou a realizar leilões de swap cambial reverso, equivalente à compra futura de dólar pela autoridade monetária. Foram quatro operações, sendo que foram leiloados 32.600 contratos, somando US$ 1,63 bilhão, de um total de 40.000 propostos.

Para Hideaki Ilha, operador de câmbio da Fair Corretora, o BC errou ao ter deixado o dólar chegar abaixo de R$ 3,50 para voltar a ofertar contratos de swap cambial reverso. “Isso facilitou a vida de quem está vendido em dólar, e agora fica mais difícil conter a queda da moeda”, diz Ilha.

O operador avalia que a queda do dólar é provocada pelo movimento global de desvalorização do dólar, mas que o cenário político também favorece a valorização do real. “Há um otimismo em relação a como o provável novo governo está sendo desenhado pelo vice-presidente Michel Temer”, afirma.

O BC realiza ainda nesta sexta-feira leilões de venda conjugados com leilões de compra de moeda estrangeira no mercado interbancário de câmbio. Serão aceitos no máximo US$ 2,0 bilhões. Será um leilão das 15h15 às 15h20 e outro leilão das 15h30 às 15h35.

No mercado de juros futuros, o contrato de DI para janeiro de 2017 tinha há pouco leve alta de 13,640% para 13,650%, enquanto o DI para janeiro de 2021 recuava de 12,700% para 12,520%, refletindo as expectativas de queda da inflação e as perspectivas sobre um novo governo.

O CDS (credit default swap), espécie de seguro contra calote e indicador da percepção de risco do país, subia 0,74%, aos 341,481 pontos.

BOLSA

O Ibovespa ensaiou uma recuperação pela manhã, sustentado pelas ações da Vale e Petrobras, que se beneficiavam da alta do minério de ferro e do petróleo, respectivamente.

No entanto, os preços do petróleo passaram a cair com informações sobre produção recorde em países da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), o que jogou as ações da Petrobras para baixo, levando o Ibovespa junto. A queda dos índices acionários em Nova York também influenciam os negócios locais.

Há pouco, o principal índice da Bolsa paulista perdia 0,80%, a 53.876,67 pontos. As ações preferenciais da Petrobras recuavam 1,07%, a R$ 10,12, enquanto as ordinárias perdiam 2,57%, a R$ 13,22.

Em Londres, o petróleo Brent caía 0,73%, a US$ 47,79 o barril; em Nova York, o petróleo WTI perdia 0,89%, a US$ 45,62.

As ações PNA da Vale avançavam 2,50%, a R$ 15,94, e as ON ganhavam 1,81%, a R$ 20,15. O minério de ferro negociado em Qingdao, na China, subiu 5,31% nesta sexta-feira, para US$ 66,24 a tonelada.

No setor financeiro, Itaú Unibanco PN perdia 2,27%; Bradesco PN, -1,33%; Banco do Brasil ON, +0,41%; Santander unit, +1,82%; e BM&FBovespa ON, +1,77%.

As ações da Embraer recuavam 7,19%, a R$ 19,86, após a divulgação do balanço do primeiro trimestre, que apontou recuo nas margens.

EXTERIOR

A queda do petróleo, os temores de desaceleração global e resultados corporativos mistos influenciam os índices acionários no exterior.

Na Bolsa de Nova York, o índice Dow Jones perdia 0,73%; o S&P 500, -0,94% e o Nasdaq, -0,73%.

Na Europa, todas as principais Bolsas terminaram a sessão no terreno negativo: Londres (-1,27%); Paris (-2,82%); Frankfurt (-2,73%); Madri (-2,62%); e Milão (-1,98%).

Na Ásia, a maioria dos índices fechou em baixa, com o iene avançando ante o dólar para a máxima em 18 meses após o banco central do Japão não ter anunciado nesta quinta-feira (28) novas medidas para estimular a economia japonesa.

Por Folhapress

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