Economia

Dólar oscila perto de R$ 3,86 com cena política e juro americano no radar

O dólar operava em queda nesta terça-feira (15), com o mercado repercutindo novos desdobramentos da Operação Lava Jato da Polícia Federal e após o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, sinalizar a possibilidade de aumento do juro básico brasileiro em janeiro de 2016.

No exterior, os mercados seguem em compasso de espera pela decisão de política monetária do Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos), que deve aumentar o juro básico americano nesta quarta-feira (16) pela primeira vez em quase dez anos.

A expectativa é que a alta dos juros provoque uma fuga de recursos hoje aplicados em países emergentes para os EUA, encarecendo o dólar. Isso porque a mudança deixaria os títulos do Tesouro americano, cuja remuneração reflete a taxa, mais atraentes que aplicações em emergentes, considerados de maior risco.

Às 12h13 (de Brasília), o dólar à vista, referência no mercado financeiro, tinha desvalorização de 0,54% sobre o real, cotado em R$ 3,858 na venda. Já o dólar comercial, utilizado em transações de comércio exterior, caía 0,77%, também para R$ 3,858.

Ambas as cotações atingiram, por ora, máximas na casa de R$ 3,89 na sessão. Entre as 24 principais moedas emergentes do mundo, o dólar caía sobre 15.

Em audiência no Senado nesta terça-feira, Tombini disse que o BC usará mecanismos que “estão e continuarão operantes” para conseguir trazer a inflação para dentro da meta do governo, de 4,5% ao ano com margem de dois pontos para cima ou para baixo.

Na semana passada, o presidente do BC já havia defendido esse ponto de vista, quando ressaltou que o atraso no ajuste das contas públicas contribuiu para postergar a convergência da inflação à meta para 2017, ante o alvo de 2016 buscado até então.

Os agentes econômicos redobraram a aposta numa elevação da Selic (taxa básica de juros) na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), em janeiro. Atualmente, a taxa está em 14,25% ao ano.

As taxas dos contratos de juros futuros operavam com sinais opostos na BM&FBovespa às 12h10. O DI para janeiro de 2016 se mantinha em 14,150%, enquanto o contrato para fevereiro de 2016 subia de 14,260% a 14,269%. Já o DI para janeiro de 2021 caía de 16,090% a 16,070%.

Ainda no cenário interno, o mercado digere as implicações da nova rodada de buscas relacionadas à Lava Jato, que envolvem o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Após o fechamento do mercado, haverá a votação da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias).

O Banco Central do Brasil deu continuidade nesta sessão aos seus leilões diários de swaps cambiais para estender os vencimentos de contratos que estão previstos para o mês que vem. A operação, que equivale a uma venda futura de dólares, movimentou US$ 545,9 milhões.

Por Folhapress

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