Economia

Dólar fica abaixo de R$ 3,30 e Bolsa sobe 2,16% com meta fiscal e exterior

O bom humor retornou aos mercados nesta sexta-feira (8), após a divulgação de dados fortes de criação de empregos nos Estados Unidos em junho. As Bolsas e o petróleo subiram, mas o dólar teve comportamento misto frente às principais moedas.

No Brasil, os investidores reagiram positivamente à meta fiscal fixada pelo governo para 2017, de um deficit primário de R$ 139 bilhões, abaixo do rombo de R$ 170,5 bilhões para 2016.

Sem ação do Banco Central no câmbio, o dólar voltou a ficar abaixo dos R$ 3,30, e o real liderou o ranking global de valorizações na sessão. O Ibovespa ganhou mais de 2%, e os juros futuros e o CDS (credit default swap) brasileiro, indicador de percepção de risco, recuaram.

“O deficit para o ano que vem ficou abaixo do esperado, e, embora não haja detalhamento, o governo se comprometeu a fazer um esforço fiscal da ordem de R$ 55 bilhões”, comenta Ignacio Crespo, economista da Guide Investimentos.

“A meta apresentada mostrou a força do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ao vencer a ala política do governo, que defendia um deficit maior”, acrescenta o economista.

CÂMBIO E JUROS

O dólar à vista terminou em queda de 1,89%, a R$ 3,2879. Na semana, a moeda americana teve ganho de 1,94%.

O dólar comercial caiu 2,10%, a R$ 3,2960. No acumulado da semana, avançou 1,95%.

O Banco Central não realizou nesta sexta-feira leilão de swap cambial reverso, equivalente à compra futura de dólares pela autoridade monetária. Houve esse tipo de operação nas cinco sessões anteriores, totalizando US$ 2,5 bilhões, o que determinou a alta do dólar na semana.

No mercado de juros futuros, o contrato de DI de janeiro de 2017 caiu de 13,905% para 13,885%; o contrato de DI para janeiro de 2021 recuou de 12,260% para 12,050%.

Contribuiu para a queda dos juros futuros a desaceleração da inflação em junho. O IPCA, indicador oficial de inflação, ficou em 0,35% no mês passado, abaixo da taxa verificada em maio, de 0,78%.

O resultado veio ligeiramente abaixo do centro das estimativas dos analistas consultados pela Bloomberg, que previam IPCA de 0,37% em junho.

O CDS brasileiro, espécie de seguro contra calote, recuava 4,06%, aos 309,197 pontos, no menor nível desde 18 de agosto do ano passado (309,019 pontos).

BOLSA

O principal índice da Bolsa paulista encerrou a sexta-feira em alta de 2,16%, aos 53.140,74 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,8 bilhões. Na semana, o Ibovespa ganhou 1,74%.

As ações da Petrobras subiram 2,92%, a R$ 9,84 (PN), e 2,75%, a R$ 12,30 (ON), beneficiadas pela recuperação dos preços do petróleo no mercado internacional.

Os papéis da Vale avançaram 1,87%, a R$ 13,02 (PNA), e 1,06%, a R$ 16,19 (ON), acompanhando a alta do minério de ferro na China.

No setor financeiro, Itaú Unibanco PN fechou em alta de 2,70%; Bradesco PN, +2,75%; Banco do Brasil ON, +2,86%; Santander unit, +2,79%; e BM&FBovespa ON, +2,94%.

EXTERIOR

Na Bolsa de Nova York, o índice S&P 500 terminou a sexta-feira em alta de 1,53%; o Dow Jones, +1,40%; e o Nasdaq, +1,64%, reagindo à forte criação de empregos em junho.

A criação de empregos nos Estados Unidos foi de 287.000 em junho, o maior ganho desde outubro do ano passado e acima das projeções de analistas, que eram de 180.000, segundo a agência de notícias Blooomberg. O dado animou os investidores, pois evidencia que a economia americana recuperou o ritmo, após os números decepcionantes do setor em maio.

Ao mesmo tempo, o aumento dos salários no mês passado abaixo do esperado foi visto como um indicativo de que o Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) continuará cauteloso em relação a uma alta de juros. Analistas esperam que os juros americanos só subam em dezembro, o que favorece os investimentos em mercados emergentes.

Na Europa, as preocupações com o Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia) foram deixadas de lado, e as Bolsas europeias fecharam em alta. A Bolsa de Londres subiu 0,87%; Paris, +1,77%; Frankfurt, +2,24%; Madri, +2,22%; e Milão, +4,08%.

Na Ásia, as Bolsas chinesas caíram, em meio a preocupações com a recuperação da economia doméstica.

O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 0,55%, enquanto o índice de Xangai perdeu 0,91%.

No Japão, o índice Nikkei da Bolsa de Tóquio recuou 1,11%, com o fortalecimento do iene prejudicando as exportações.

Por Folhapress

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