Economia

Dólar comercial segue exterior, fecha em alta e encerra sequência de perdas

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, tinha desvalorização de 0,69% - foto: divulgação

O dólar comercial fecha em alta.  – foto: divulgação

O dólar comercial fechou em alta nesta segunda-feira (7) em alta sobre o real, acompanhando a valorização da moeda americana frente a outras divisas emergentes do mundo.

O mercado continuou de olho na proximidade do momento de elevação de juros nos Estados Unidos e no andamento do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff no Brasil.

O dólar comercial, utilizado em transações de comércio exterior, avançou 0,58%, para R$ 3,760 na venda, interrompendo uma sequência de quatro quedas. Já o dólar à vista, referência no mercado financeiro, subiu 0,41%, a R$ 3,763.

Entre as 24 principais moedas emergentes do mundo, o dólar subiu em relação a 22. As exceções foram o peso argentino e o dólar de Hong Kong. A divisa dos EUA também ganhou força sobre todas as dez moedas globais mais importantes, entre elas o iene, o franco suíço, o euro e a libra esterlina.

Internamente, a comissão especial da Câmara dos Deputados encarregada de analisar o pedido de abertura de impeachment contra Dilma será formada nesta segunda-feira e ratificada em sessão do plenário.

Analistas acompanham com cautela o cenário político brasileiro. Apesar de a abertura do processo de impeachment contra a presidente ter provocado, na semana passada, uma reação positiva nos mercados, a medida também ampliou o risco de o Brasil perder em breve o selo de bom pagador concedido por outras agências de risco além da Standard & Poor’s, que já retirou o grau de investimento do país neste ano.

Lá fora, os investidores seguem à espera da reunião de política monetária do Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos), marcada para os dias 15 e 16 deste mês. É esperado que a autoridade comece a subir os juros daquele país, que estão perto de zero desde a crise de 2008.

A alta da taxa provocaria fuga de recursos aplicados em países emergentes para os EUA, encarecendo o dólar. Isso porque a mudança deixaria os títulos do Tesouro americano, cuja remuneração reflete a taxa de juros, mais atraentes que aplicações em mercados emergentes, considerados de maior risco.

O Banco Central do Brasil deu continuidade nesta sessão aos seus leilões diários de swaps cambiais para estender os vencimentos de contratos que estão previstos para o mês que vem. A operação, que equivale a uma venda futura de dólares, movimentou US$ 546,3 milhões.

No mercado de juros futuros, os principais contratos fecharam com sinais opostos na BM&FBovespa. O DI para janeiro de 2016 subiu de 14,159% para 14,160%. Já o DI para fevereiro de 2016 cedeu de 14,225% para 14,221%. O contrato para janeiro de 2020 apontou taxa de 15,770%, ante 15,680% na sessão anterior.

Bolsa

O principal índice da Bolsa brasileira chegou a subir mais de 1% pela manhã, amparado no bom desempenho das ações de bancos, mas perdeu força no início da tarde após os mercados acionários de Nova York abrirem em queda e fechou no vermelho. O Ibovespa cedeu 0,30%, para 45.222 pontos. O volume financeiro foi de R$ 5,2 bilhões.

O desempenho negativo das ações da Petrobras ajudou a empurrar o Ibovespa para baixo. As ações preferenciais da estatal, mais negociadas e sem direito a voto, tiveram baixa de 4,39%, para R$ 7,19 cada uma. Já as ordinárias, com direito a voto, recuaram 5,37%, a R$ 8,64.

Também no vermelho, a Vale viu sua ação preferencial ceder 1,50%, para R$ 9,84. É o menor valor desde 16 de junho de 2004, quando valia R$ 9,767. A ordinária teve desvalorização de 1,13%, a R$ 12,21 -menor cotação desde 12 de julho, quando valia R$ 12,167.

No setor bancário, segmento com maior participação dentro do Ibovespa, as ações do Itaú e do Bradesco, que subiram mais de 1% pela manhã, inverteram a tendência pela tarde e fecharam no vermelho. Esses papéis tiveram quedas de 0,75% e 1,02%, respectivamente.

O Banco do Brasil cedeu 0,40%. Em sentido oposto, as units (conjuntos de ações) do Santander registraram valorização de 2,15%, a R$ 15,71.

Fora do Ibovespa, as units do BTG Pactual caíram 9,47%, para R$ 17,58. As ações da rede de drogarias Brasil Pharma, cujo maior acionista é o BTG Pactual, despencaram 24,57%, para R$ 10,10 cada uma.

Segundo a agência de notícias internacional Bloomberg, o BTG quer vender até R$ 22 bilhões em carteiras de crédito (empréstimos feitos pelo banco) para aumentar o dinheiro em caixa disponível em meio à crise que vive após a prisão de seu ex-controlador, André Esteves.

 

Por Folhapress

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