Economia

Dólar chega a R$ 3,70 com ação do BC e exterior; Bolsa avança 0,87%

O dólar comercial ganhou 1,26%, a R$ 3,6930 - em 2,78% - foto: divulgação

O dólar comercial ganhou 1,26%, a R$ 3,6930 – em 2,78% – foto: divulgação

O dólar chegou a R$ 3,70 nesta quinta-feira (7), reagindo à estratégia do Banco Central na compra e venda futuras da moeda americana. A alta foi impulsionada ainda pelo cenário externo negativo. A queda do petróleo e temores de desaceleração global provocaram uma corrida por ativos considerados mais seguros, como dólar e ouro.

O Ibovespa se descolou novamente de seus pares globais e fechou em alta. Segundo analistas, investidores passaram a ver maiores chances de impeachment da presidente Dilma Rousseff por causa de notícias desfavoráveis ao governo.

A moeda americana à vista fechou em alta de 1%, a R$ 3,7035, no maior patamar desde 16 de março deste ano (R$ 3,8079). O dólar comercial ganhou 1,26%, a R$ 3,6930.

Após uma pausa nesta quarta-feira (6), o Banco Central voltou a ofertar swap cambial reverso, equivalente à compra futura da moeda americana. Foram aceitos 8.500 dos 20.000 contratos propostos.

O BC também promoveu a rolagem integral de 5.500 contratos de swap cambial tradicional, que corresponde à venda futura de dólares pela autoridade monetária. Se mantido este montante diário, o BC terá rolado este mês metade dos contratos com vencimento em maio.

“A ação do Banco Central está ajudando a diminuir a liquidez da moeda americana”, afirma Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora.

“O BC, atuando na compra e rolando menos contratos de swap tradicional, acaba tirando dólares de circulação do mercado; no mês passado, foram cerca de US$ 3 bilhões e neste mês devem ser de US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões”, afirma Galhardo.

Além disso, o fluxo de entrada de dólar no país está menor nos últimos dias, diante da cautela provocada pelo cenário político.

Segundo profissionais, nesta semana, paralelamente à atuação do BC, o comportamento do dólar ante o real tem seguido o cenário externo, ao contrário do que tem ocorrido na Bolsa. O mercado acionário tem respondido mais aos desdobramentos no campo político e se descolado dos pares globais.

Juros

O mercado de juros futuros fechou em alta, seguindo o movimento do dólar: o contrato de DI para janeiro de 2017 avançou de 13,840% para 13,880; e o DI para janeiro de 2021 subiu de 14,120% para 14,160%.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, listou nesta quinta-feira razões para que a inflação fique mais controlada em 2016, mas descartou redução da taxa de juros.

O CDS (credit default swap), espécie de seguro contra calote e indicador da percepção de risco do país, ganhava 2,81%, para 396,425 pontos.

Bolsa

O Ibovespa fechou em alta de 0,87%, aos 48.513,10 pontos, após a queda de 1,95% na véspera. O giro financeiro foi de R$ 5,092 bilhões, mas baixo do que nas sessões anteriores, refletindo a cautela dos investidores.

Notícias desfavoráveis ao governo deram ânimo aos poucos negócios, e a Bolsa acabou indo na direção contrária de seus pares globais. O índice chegou a subir mais de 1%, mas perdeu fôlego na reta final do pregão.

Analistas destacam a informação, publicada pela Folha de S.Paulo, de que a Andrade Gutierrez, segunda maior empreiteira do país, fez doações legais às campanhas de Dilma Rousseff (PT) e de seus aliados em 2010 e 2014 utilizando propinas oriundas de obras superfaturadas da Petrobras e do sistema elétrico.

Além disso, o ministro do STF Teori Zavascki homologou a delação premiada do ex-presidente da Andrade Gutierrez Otávio Marques de Azevedo e do ex-executivo da construtora Flávio Barra.

“Fica cada vez mais claro que, se o governo sobreviver ao impeachment, pode ser derrubado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral)”, comentam os analistas da Lerosa Investimentos, em relatório.

As ações preferenciais da Petrobras subiram 1,58%, a R$ 7,70, e as ordinárias ganharam 2,15%, a R$ 9,94, apesar da queda do petróleo no mercado internacional.

No setor financeiro, Banco do Brasil ON ganhou 3,08%; Itaú Unibanco PN +1,08%; Bradesco PN, +0,84%; Santander unit, +0,29% e BM&FBovespa ON, +1,27%.

As ações da Vale, porém, recuaram 1,31%, a R$ 11,25 (PNA) e 0,39%, a R$ 15,01, seguindo o preço do minério de ferro na China.

Na avaliação de um operador, a valorização da Bolsa foi influenciada pela proximidade do vencimento de opções sobre Ibovespa, na próxima quarta-feira (13), já que há muitas posições compradas em índice futuro, ou seja, ou seja, de investidores que apostaram na alta das ações.

Bolsa reage ao cenário político – Variação do Ibovespa em 2016, em pontos

Exterior

As Bolsas na Europa e EUA fecharam em baixa, devolvendo os ganhos da véspera. A queda dos preços do petróleo, o avanço do dólar frente à maior parte das moedas e a volta de preocupações em relação à economia global definiram o rumo dos negócios.

Esses temores voltaram após a divulgação daata da última reunião do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) nesta quarta-feira. Segundo o documento, os riscos provocados pela desaceleração econômica global autorizavam uma postura cautelosa para subir os juros americanos.

A leitura do mercado foi de que as medidas de estímulos promovidas pelos bancos centrais não estão tendo resultados.

Na Bolsa de Nova York, o índice Dow Jones perdeu 0,98%; o S&P 500, -1,20%; e o Nasdaq, -1,47%.

Na Europa, as Bolsas também fecharam em baixa: Londres, -0,40%; Paris, -0,90%; Frankfurt, -0,98%; Madri, -1,26%; e Milão, -2,45%.

Depois do ganho de mais de 5% na quarta-feira (6), os preços do petróleo recuavam com especulações de que a inesperada queda semanal nos estoques norte-americanos não deve se repetir. Em Londres, o Brent perdia 0,63%, a US$ 39,59; em Nova York, o WTI recuava 0,82%, a US$ 37,44.

Na Ásia, os índices acionários fecharam com sinais mistos.

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