Economia

Dólar cai para R$ 3,58 com cenário político e Tombini e Bolsa recua

O cenário político, contudo, continua sendo principal condutor da baixa do dólar - Foto: divulgação

O cenário político, contudo, continua sendo principal condutor da baixa do dólar – Foto: divulgação

A aversão ao risco que tomou conta dos mercados globais na manhã desta terça-feira (22), com os atentados em Bruxelas, acabou perdendo força ao longo do dia. Na Europa, a maioria das Bolsas reagiu e acabou fechando em alta. No Brasil, o dólar voltou a cair, mas o Ibovespa terminou em baixa.

A moeda americana à vista, que chegou a atingir a máxima de R$ 3,65 pela manhã com o mau humor global e a operação de swap cambial reverso realizada pelo Banco Central, encerrou o pregão em queda de 0,59%, a R$ 3,5840 -menor patamar desde 27 de agosto de 2015 (R$ 3,5450). O dólar comercial, que também chegou a R$ 3,65 durante a sessão, perdeu 0,22%, a R$ 3,6020.

Além da melhora nos mercados mundiais, o enfraquecimento do dólar ante o real se intensificou após declarações do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, de que a autoridade monetária não tem patamar para o dólar e que o câmbio é flutuante.

O cenário político, contudo, continua sendo principal condutor da baixa do dólar. Segundo Ítalo Santos, especialista em câmbio da corretora Icap, está havendo um ataque especulativo no câmbio, sem qualquer fundamento, em função das expectativas de troca no comando do governo. “E o mercado parece estar testando os limites do BC contra essa especulação, tentando ver quais são suas ferramentas para conter este ataque.”

O dólar voltou a cair mesmo após a autoridade monetária ter leiloado nesta manhã os contratos de swap cambial reverso que não foram aceitos na operação desta segunda-feira (21). Dos 14.500 contratos remanescentes, foram leiloados 10.000 nesta terça-feira, no montante total de US$ 495 milhões. Na véspera, foram leiloados 5.500 contratos de um total de 20.000. O swap cambial reverso equivale à compra de dólares pelo BC.

Segundo operadores, o fato de a ministra do STF Rosa Weber ter negado pedido da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para anular a decisão do ministro Gilmar Mendes desfavorável ao petista também animou os investidores.

Juros

Tombini disse ainda nesta terça-feira que as expectativas de inflação precisam cair mais para que seja possível reduzir a taxa básica de juros. Segundo ele, não será necessário esperar que o IPCA, o índice oficial de inflação, chegue aos 4,5% em 2017 para que isso ocorra, mas não há como cortar a taxa neste momento.

Os juros futuros operavam em baixa: o DI para janeiro de 2017 caía de 13,780% na sessão anterior para 13,710%; o DI para janeiro de 2021 saía de 13,860% para 13,610%.

O CDS (credit default swap), espécie de seguro contra calote e indicador da percepção de risco do Brasil, que chegou a subir nesta sessão, recuava 0,98%, a 366,925 pontos.

Bolsa

O Ibovespa terminou em baixa de 0,32%, aos 51.010,19 pontos, pressionado pelas ações do setor financeiro. O giro financeiro foi de R$ 6,788 bilhões. Segundo operadores, o movimento foi um misto de realização de lucros e de cautela em relação aos próximos desdobramentos no campo político.

As ações preferenciais da Petrobras subiram 0,62%, a R$ 8,11, e as ordinárias ganharam 2,24%, a R$ 10,48, apesar do prejuízo recorde registrado pela estatal em 2015. Os preços do petróleo também subiam: em Londres, o Brent avançava 0,72%, a US$ 41,84 o barril; nos EUA o WTI tinha alta de 3,81%, a US$ 41,43.

As ações da Vale subiram 0,89%, a R$ 11,30 (PNA), e 1,84%, a R$ 15,43 (ON), apesar da queda do preço do minério de ferro na China.

A maior parte dos papéis de bancos recuou: Itaú Unibanco PN perdeu 2,56%; Bradesco PN, -1,03%; Banco do Brasil ON, -1,44%, em um movimento visto por analistas como realização de lucros. “Além disso, a perspectiva de queda dos juros não é favorável aos bancos”, comenta Luis Gustavo Pereira, estrategista da Guide Investimentos.

Marcio Cardoso, sócio-diretor da Easynvest Corretora, destaca o volume negociado na Bolsa mais baixo nesta terça-feira do que em sessões anteriores. “Os investidores estão preferindo manter suas posições durante o feriado [de Páscoa] e esperar definições no cenário político, já que a eventual mudança de governo já está embutida nos preços.”

Exterior

Em Wall Street, o índice Dow Jones terminou em queda de 0,23%; o S&P 500 caiu 0,09%, mas o Nasdaq avançou 0,27%, com o mercado também reduzindo os negócios com a proximidade do feriado.

Na Europa, a maior parte Bolsas se recuperou na reta final da sessão e fechou em alta: Londres (+0,13%); Paris (+0,09%); Frankfurt (+0,42%); Madri (-0,32%) e Milão (+0,01%).

Além do avanço do petróleo, colaborou para a melhora nos mercados europeus a divulgação do índice de gerentes de compras (PMI) composto da zona do euro melhor que o esperado. O indicador subiu para 53,7 em março, de 53,0 em fevereiro, segundo dados preliminares da pela Markit Economics.

As Bolsas chinesas fecharam em baixa nesta terça-feira, pressionadas pela venda generalizada de papéis do setor financeiro.

Por Folhapress

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