Economia

Dólar cai a R$ 3,59 e Bolsa sobe 3,67% com expectativas sobre impeachment

Com as expectativas do impeachment da presidente Dilma Rousseff o mercado fica agitado – foto: divulgação

A sexta-feira (8) foi de euforia no mercado doméstico. Notícias desfavoráveis ao governo elevaram as apostas de investidores de que ocorrerá o impeachment da presidente Dilma Rousseff. O dólar comercial caiu para o patamar de R$ 3,59, e o Ibovespa subiu 3,67%, ficando acima dos 50.000 pontos.

O cenário externo positivo contribuiu para impulsionar os negócios. O petróleo subia cerca de 6%, e a moeda americana perdeu terreno ante a maior parte das moedas globais, com expectativas renovadas de que os juros americanos não subirão tão cedo.

O real teve a maior valorização ante o dólar entre as principais moedas globais. O dólar comercial fechou em queda de 2,59%, a R$ 3,5970. A moeda americana à vista terminou em baixa de 2,10%, a R$ 3,6256.

O movimento de baixa do dólar ocorreu mesmo após o Banco Central ter realizado leilão de swap cambial reverso, equivalente à compra futura da moeda americana pela autoridade monetária. Foram aceitos apenas 3.000 dos 11.500 contratos propostos nesta sexta-feira.

O BC realizou ainda a rolagem integral de 5.500 contratos de swap cambial tradicional (que corresponde à venda futura de dólar).

Analistas destacam o fato de o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ter sugerido ao STF (Supremo Tribunal Federal) a anulação da nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Casa Civil.
“Rodrigo Janot mudou sua posição sobre Lula e agora recomenda que [o ex-presidente] não exerça a função na Casa Civil, o que certamente enfraquece seu cacife político para negociar com deputados nanicos a ausência ou voto contra o impeachment”, comenta Alvaro Bandeira, economista-chefe da corretora Modalmais, em relatório.
Além disso, aumentou o número de deputados dispostos a votar a favor do impeachment, como mostrou levantamento do Datafolha.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 caiu de 13,880% para 13,800%, o DI para janeiro de 2021 baixou de 14,160% para 13,730%.

As taxas reagiram também à desaceleração do IPCA em março, o que abriria espaço para um corte da taxa básica de juros (Selic) ainda neste ano.

Apesar disso, o presidente do BC, Alexandre Tombini, reiterou nesta quinta-feira (7) que não há espaço para corte dos juros, mesmo com a queda da inflação.

O CDS, espécie de seguro contra calote e indicador da percepção de risco do país, caía 1,67%, para 390,069 pontos.

BOLSA

O Ibovespa fechou em alta de 3,67%, para 50.292,92 pontos. O giro financeiro foi de R$ 8,042 bilhões, o maior da semana.

Na máxima da sessão, por volta das 15h, subiu 4,07%, aos 50.485,97 pontos, com os investidores repercutindo as notícias desfavoráveis ao governo.

Os papéis do setor financeiro fecharam em forte alta: Banco do Brasil ON, +11,52%; Itaú Unibanco PN; +6,30%; Bradesco PN, +4,93%; BM&FBovespa ON, +4,95%; e Santander unit, +0,71%.

As ações PN da Petrobras subiram 7,27%, a R$ 8,26, e as ON ganharam 5,53%, a R$ 10,49. Os papéis PNA da Vale avançaram 8,35%, a R$ 12,19, e os ON, +8,19%, a R$ 16,24.

EXTERIOR

As Bolsas na Europa e EUA reagiram à alta do petróleo e a confirmação da percepção de que os juros americanos não subirão rápido.

Nesta quinta-feira (7), a presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), Janet Yellen, reafirmou que a alta dos juros americanos será gradual. Ela indicou que a economia americana está sólida e a inflação não é uma ameaça ao país.

O petróleo Brent, negociado em Londres, ganhava 6,04%, a US$ 41,81 o barril, e o WTI, em Nova York, subia 6,39%, a US$ 39,58, com dados apontando queda na produção da commodity nos EUA.

Também davam impulso aos negócios especulações de que os principais produtores alcançarão no próximo dia 17 um acordo para congelar a produção mundial.

Na Bolsa de Nova York, o índice Dow Jones fechou em alta de 0,20%; o S&P 500 ganhou 0,28% e o Nasdaq, +0,05%.
Na Europa, a Bolsa de Londres avançou 1,10%; Paris, +1,35%; Frankfurt, +0,96%; Madri, +1,62%; e Milão, +4,08%.
Na Ásia, os índices fecharam com sinais mistos.

Por Folhapress

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