Economia

Dólar atinge maior nível desde 2002 com mercado de olho em Orçamento

A expectativa pela divulgação da proposta de Orçamento do governo brasileiro para 2016 prevendo deficit primário derrubou o principal índice da Bolsa brasileira nesta segunda-feira (31) e provocou uma disparada no dólar em relação ao real.

Às 10h45 (de Brasília), o dólar à vista, referência no mercado financeiro, tinha valorização de 2,65%, cotado em R$ 3,680 na venda. Já o dólar comercial, utilizado em transações de comércio exterior, avançava 2,62%, para R$ 3,681. A moeda americana chegou a bater R$ 3,684 mais cedo. Neste momento, ambas as cotações estão no maior nível desde dezembro de 2002.

Segundo operadores, o clima de aversão ao risco no mercado reflete a possibilidade de a proposta de Orçamento para 2016 que será enviada pelo governo ao Congresso nesta segunda trazer projeção de deficit primário para o ano que vem.

Com isso, dizem, os investidores passariam a enxergar maior probabilidade de o Brasil perder seu grau de investimento -selo de bom pagador atestado por agências internacionais de classificação de risco. A perda forçaria grandes fundos a retirar investimentos que possuem no país, agravando ainda mais o cenário econômico.

“Sem a recriação da CPMF (o chamado imposto do cheque), o governo não tem muitas alternativas para cobrir o rombo de R$ 80 bilhões. Tudo indica que a meta de superavit primário de 2016, de 0,7% do PIB, seja reduzida novamente e é possível que haja corte de programas sociais”, disse Celson Plácido, analista da XP Investimentos, em relatório.

A forte valorização do dólar ocorre mesmo após o Banco Central do Brasil ter reforçado sua atuação no mercado de câmbio para reduzir a volatilidade da moeda americana. Após o fechamento dos negócios na sexta-feira (28), o BC anunciou para esta sessão leilão de venda de até US$ 2,4 bilhões com compromisso de recompra em 4 de novembro de 2015 e 2 de dezembro de 2015.

Além disso, a autoridade monetária sinalizou que deve rolar integralmente os swaps cambiais, contratos equivalentes a venda futura de dólares, que vencem em outubro.

Por Folhapress

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