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Dólar alto pode forçar reajuste no preço do pão em Manaus

Farinha de trigo consumida no país é importada, o que pode elevar o preço do pão no Estado- foto: Ione Moreno

Farinha de trigo consumida no país é importada, o que pode elevar o preço do pão no Estado- foto: Ione Moreno

O dólar acima da casa de R$ 3,50 pode resultar no reajuste no valor do pão francês em Manaus. Embora as panificadoras ainda mantenham o preço, de acordo com o Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Amazonas (Sindipan-AM), não há garantias do segmento de segurar um possível aumento, caso os insumos – a maioria importada – fiquem mais caros.

Conforme o presidente do Sindipan-AM, Williams Barbosa Teixeira, a principal indústria moageira de trigo do Estado sinalizou que ainda não há motivo para o reajuste do principal insumo usado para a produção do pão, cujo preço é cotado pela moeda norte-americana e que, há duas semanas, voltou a valorizar sobre o real.

Teixeira disse que os empresários do segmento já demonstram preocupação sobre um provável encarecimento dos insumos. “Tenho recebido e-mails de associados nossos mostrando inquietação sobre possível o reajuste da farinha de trigo fase a esse aumento do dólar”, contou. “Mas, na semana passada, estive com representantes da indústria moageira de trigo quando toquei no assunto e eles disseram que no momento não tem nada que possa sinalizar reajuste”, afirmou o presidente do Sindpan-AM.

No entanto, caso ocorra aumento do preço do trigo, ele observou que o sindicato discutirá com os associados se haverá condições de segurar o preço do “pãozinho”. Ocorre que, em abril, foi autorizado o reajuste de 10% sobre o quilo do pão francês.

Teixeira assegurou que na época, as empresas absorveram o custo. “Aumentar preço hoje é suicídio”, comentou.

O proprietário da Panificadora Emme, Carlos Azevedo, disse que ontem conseguiu comprar a saca de trigo pelo valor de R$ 100. No início do ano a saca custava R$ 95 em média.

Ele disse acreditar que o valor se mantém por conta do estoque da Trigolar, que é a principal indústria moageira de trigo do Amazonas. Mas, observou que se a alta do dólar se estender por mais tempo, o preço será reajustado. “A situação é preocupante porque no Amazonas só temos a Trigolar que trabalha com trigos, que vem principalmente dos Estados Unidos”, diz Azevedo.

Insumos caros preocupam

Hoje, o quilo do pão custa em média de R$ 7 a R$ 9 nas panificadoras de Manaus. De acordo com o dono da Emme, localizada no bairro São Jorge, Zona Centro-Oeste, o quilo do “pãozinho” custa R$ 8, e mantém desde o ano passado.

Mas, como não é só de trigo que se faz um pão, o empresário disse o que também preocupa o segmento é o conjunto dos insumos. Segundo ele, o melhorador de farinha de trigo, que apesar de ser produto nacional tem matéria prima importada, e o fermento, que é todo importado, também deverão sofrer reajuste de preço influenciado pelo dólar.

“A variação do dólar se acentuou nas duas últimas semanas. Mas, como as empresas trabalham com estoque, nós não sentimos o impacto tão cedo. Nós já absorvermos o reflexo dos custos da data base dos trabalhadores (1º de junho) e agora nós vamos aguardar os possíveis reajustes dos insumos para colocar na planilha e avaliar se conseguiremos segurar o preço do pão”, avaliou Teixeira.

A reportagem do EM TEMPO tentou várias vezes falar com a Trigolar pelo telefone 21XX-XX00, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

Por Emerson Quaresma

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