Saúde e Bem Estar

Doenças negligenciadas matam milhares no país

 

A tuberculose mata quase 5 mil pessoas por ano – Divulgação

Carentes de investimento em pesquisas, produção de remédios e controle, as doenças consideradas negligenciadas, a maioria delas tropical, atingem, principalmente, populações de baixa renda. Algumas dessas doenças são tratáveis e até curáveis, mas podem levar à morte, caso não haja a assistência médica necessária. Um exemplo é a tuberculose, que, apesar de ter tratamento completo oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), todos os anos registra cerca de 70 mil novos casos e 4,5 mil mortes no Brasil, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

O Amazonas lidera os casos de tuberculose no país, com 2.781 registros somente no ano passado, uma diminuição de 3% em relação a 2015, de acordo com os últimos dados do Sistema de Informação de Mortalidade do Ministério da Saúde. Apesar dessa redução, o número de mortes aumentou 16,5% no mesmo período, passando de 127 para 148, a maioria em Manaus.

Segundo a coordenadora estadual do Programa de Controle da Tuberculose da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS), Marlúcia Garrido, os principais fatores associados ao adoecimento e às mortes são outras infecções como HIV, e doenças como diabetes, desnutrição, alcoolismo e tabagismo. “A tuberculose tem tratamento e cura quando diagnosticada em tempo oportuno”, ressaltou. “É preciso ter bons hábitos de vida como, por exemplo, dormir bem, alimentar-se, evitar álcool, usar métodos de prevenção para doenças sexualmente transmissíveis (DST)”, alerta.

A prevenção é a melhor forma de combater esses males – Divulgação

A tuberculose é considerada pela OMS como a doença infecciosa mais mortal do mundo. Consiste em uma inflamação bacteriana no pulmão, podendo afetar, também, outros órgãos como a pleura e os rins e tem como sintomas a febre constante, tosse prolongada, cansaço excessivo, falta de apetite e, nos casos mais graves, tosse com sangue e pus. A transmissão ocorre por contato com a saliva infectada.

Apesar de grave, a doença tem tratamento que pode durar até seis meses. Contudo, é importante que o acompanhamento, oferecido pelo SUS de forma gratuita, seja realizado até o fim, embora, nas primeiras semanas, o paciente obtenha melhoras significativas. O tratamento incorreto pode fazer com que o bacilo da tuberculose se torne mais resistente, prolongando para até 1 ano o tempo de cura. O percentual de cura quando o tratamento é realizado completamente é de 88%. Marlúcia Garrido ressalta que é importante procurar um médico em caso de tosse com mais de três semanas de duração.

“Há a necessidade de sempre reforçar que, mesmo que uma radiografia aponte suspeita de tuberculose, é preciso fazer exame de escarro. Então fica o alerta para a população: qualquer tosse demorada precisa ser investigada. Não é para esperar escarrar sangue para procurar atendimento”, argumenta.

Febre amarela

Outra doença negligenciada, a febre amarela tem avançado para áreas onde, antes, não havia incidência. A doença está presente em grande parte do país: 19 Estados e o Distrito Federal. No entanto, em lugares como o Espírito Santo e o Rio de Janeiro, que não eram considerados área de risco, também registraram casos da doença.

De acordo com a infectologista Maria Paula Mourão, tanto a tuberculose quanto a febre amarela são doenças graves, que podem levar a óbito se não reconhecidas e tratadas corretamente. “No caso da febre amarela, o agravo é tão significativo que, mesmo quando reconhecida precocemente, a chance de evoluir ao óbito é de 50%, tamanha a gravidade da lesão que causa no fígado, nos rins e na coagulação do sangue”, ressalta.

Ainda segundo a infectologista, no caso da febre amarela, não há tratamento antiviral disponível. A principal estratégia de combate à doença é a vacina. “A vacina contra febre amarela é muito eficiente e segura. Uma única dose já é capaz de proteger o indivíduo contra a doença. O problema é que, no Brasil, nem todos os Estados adotam essa vacina como obrigatória”, destaca.

É exatamente nos Estados onde não há a obrigatoriedade da vacina que os surtos estão acontecendo. “O vírus amarílico infecta macacos silvestres e, junto com esses animais, se desloca por diferentes regiões, podendo causar a doença em humanos suscetíveis (não vacinados). No Amazonas e em todos os estados da Região Norte, a vacina contra febre amarela é obrigatória a partir dos 9 meses de idade e deve ser reforçada em mais uma dose aos 10 anos de idade”, explica a infectologista.

A médica conclui que a prevenção é a melhor forma de combater esses males. “O maior desafio é diagnosticar precocemente os pacientes sintomáticos, iniciar e garantir a adesão ao tratamento da tuberculose. Já no caso da febre amarela, o ideal é investir na cobertura vacina ampliada”, opina Mourão.

Bruna Chagas
EM TEMPO

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