Cultura

Documentário sobre Los Hermanos estreia em Manaus

Um dos maiores fenômenos da música brasileira dos últimos tempos, a banda Los Hermanos ganha um registro íntimo e fiel ao seu espírito no documentário de Maria Ribeiro Los Hermanos – Esse é só o começo do fim da nossa vida. O filme acompanha Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Bruno Medina e Rodrigo Barba ao longo de uma turnê que marcou o reencontro do grupo depois de cinco anos de recesso.

“A primeira vez que vi os meninos tocarem foi na PUC. Eles foram meus contemporâneos”, conta Maria Ribeiro. “Não nos conhecíamos, mas Marcelo e Rodrigo também estudavam na universidade. Gostei do som, achei uma graça. Era pesado e romântico ao mesmo tempo”.

Pouco tempo depois, com o sucesso de “Anna Julia”, Los Hermanos explodiram como um fenômeno nacional. Mas foi em 2001, quando lançaram O Bloco do Eu Sozinho, que Maria se apaixonou definitivamente pelo som da banda. “Pirei com esse disco”, ela diz.

No ano seguinte, quando dirigiu o curta-metragem 25, Maria achou que as músicas do “Bloco” seriam a trilha sonora perfeita para o filme. “Elas falam exatamente o que quero dizer. São canções sobre a passagem do tempo, o amor, a amizade”. Maria encontrou Rodrigo Amarante no Baixo Gávea, e, mesmo sem conhecê-lo pessoalmente, se aproximou e contou que gostaria de usar as músicas no curta. “Eles toparam, e a trilha do 25 é toda do ‘Bloco’”.

Com o lançamento do álbum Ventura, a paixão de Maria se consolidou. “Realmente virei fã deles, ia a todos os shows. O que foi uma coisa inédita na minha vida, porque nunca fui disso”. Uma aproximação maior aconteceu quando ela conheceu Karine Carvalho, que na época namorava Rodrigo Amarante. Karine sugeriu que Maria filmasse o show de Los Hermanos na Marina da Glória. “Nesse dia, fui com eles na van e fiquei impressionada com a antibanda que eram. Paramos para pegar a avó do Marcelo e depois o pai do Bruno. Era tudo o que eu não imaginava. Nenhuma afetação. E nesse momento eles já estavam muito famosos”, relembra.

Desde esse primeiro contato, foram várias tentativas para fazer um documentário sobre o grupo, sem sucesso. “Acho que meu maior mérito foi ter insistido durante muito tempo. Em 2012, quando eles anunciaram a turnê do reencontro, comemorativa dos 15 anos da banda, resolvi tentar de novo. E quando já não tinha mais nenhuma esperança, eles toparam”. Maria então formou uma equipe pequena e se preparou para acompanhá-los por cinco cidades. “Foi uma aventura”, define. “Era uma banda que não era banda. O modo como eles fazem tudo é muito interessante. E a questão do filme que me comovia de alguma forma diz muito respeito a mim. É a questão do amadurecimento, da passagem do tempo, de ficar mais velho e manter suas amizades, seu grupo”.

O documentário alterna registros musicais das apresentações com um acompanhamento sereno dos bastidores da turnê. Quase sempre, a câmera está próxima, observando Los Hermanos nos intervalos dos shows, nas viagens entre uma cidade de outra, ou na saída das apresentações, quando, invariavelmente, uma aglomeração de fãs aguarda ansiosa por um registro fotográfico ou um autógrafo.

 

 

Maria evitou fazer entrevistas. “Fiz apenas duas, porque o momento pedia. Como ficaram boas, acabaram entrando no filme. Mas eu queria fazer ‘cinema direto’, não interferir, passar pelos perrengues junto com eles”. Maria também fez questão que a plateia tivesse no filme a mesma presença que tem nos shows – em quase todos os números musicais, é possível ouvir o público cantando junto.

Esse fenômeno se repetiu quando Los Hermanos – Esse é só o começo do fim da nossa vida passou por seu primeiro teste. O filme foi selecionado para o festival de documentários É Tudo Verdade e ganhou suas primeiras exibições em abril de 2014. A fila começava a se formar na porta dos cinemas ainda de manhã e, próximo ao horário das sessões, dobrava esquinas. Os sortudos que conseguiram ver o filme reproduziam a situação dos shows, cantando juntos todas as músicas. “As canções deles têm um discurso muito amoroso, muito romântico. É uma coisa impressionante. As pessoas se identificam muito”, diz Maria.

Onde?

Manaus (AM):

Studio 5 Shopping

Sala 1 – 20h45 (somente quinta, 21/05, e sexta, 22/05)

 

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