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Ditadura militar completa 52 anos; prefeito comenta golpe de 64

De acordo com Arthur Nero, a tensão do regime ditatorial não se iguala aos dias atuais e que o período era diferente - foto: divulgação

De acordo com Arthur Nero, a tensão do regime ditatorial não se iguala aos dias atuais e que o período era diferente – foto: divulgação

Passados 52 anos do golpe que implantou a ditadura militar no Brasil, completados nesta quinta-feira (31), lideranças que iniciavam sua militância à época relembram as tensões vividas naquele momento e afirmam que a crise política dos dias de hoje não se iguala e nem há similaridade entre os períodos.

Aos 18 anos de idade à época, quando o golpe militar se concretizou no país, o prefeito Arthur Neto (PSDB) afirma que a tensão do regime ditatorial não se iguala aos dias atuais e que o período era diferente. Ele relembra que o então presidente deposto, João Goulart, não era acusado de corrupção e que as pessoas que o difamavam não tinham apetite pelo poder. “Dessa forma, não soube manobrar sua sobrevivência, cometendo erros e estratégias terríveis que levou a sua queda”, acrescentou.

Arthur contou que seu pai, o senador Arthur Virgílio Filho (PTB), se tornou o primeiro líder de oposição ao regime de 64 após a queda do presidente Goulart, de quem era líder do governo no Senado. De acordo com o prefeito, a instauração da ditadura militar significou muito sofrimento para sua família, uma vez que seu pai teve o mandato cassado em 1969, em uma tensão que durou 5 anos. Ele relembra com muita emoção o momento que a casa em que morava sua família foi invadida pela polícia política do Estado da Guanabara (RJ), em 1964.

No momento, Arthur Neto conta que colocaram sua mãe e os quatros filhos para cantar hino nacional de costas, isso para provar que não eram comunistas. “Nós passamos por essa humilhação e tivemos que fazer por que nossa mãe mandou”, relembrou.

Sobre um tímido movimento que surge no Brasil, em que jovens e alguns setores da sociedade pedem a volta do regime militar, Arthur Neto critica e afirma que os próprios militares consideram isso algo bastante grotesco. “O Brasil poderá, sim, ter um presidente militar, mas desde que ele vá para a reserva, se candidate e ganhe. Hoje, nenhum militar pensa em golpe ou quebra da ordem constitucional”, afirmou o prefeito.

Ele disse que é contra ficar reavivando feridas antigas ao se referir à criação da extinta Comissão Nacional da Verdade, que apurou por mais de 2 anos as atrocidades e crimes cometidos por militares naquele período. “Ficar buscando culpados que, se estiverem vivos tem 90 anos de idade, não tem nenhuma vantagem”.

Além das consequências diretas a seu pai, o próprio prefeito, então jovem militante estudantil, também sofreu os revezes da ditadura militar. Arthur Neto foi preso e sua casa passou a ser vigiada durantes os 60 primeiros dias do regime que se instaurava no Brasil. “Só entrava em meu edifico quem se identificasse, causando assim uma situação crítica entre os vizinhos que passavam a se antipatizar com a situação. Os mesmos vizinhos que bajulavam meu pai quando ele era líder do governo ficaram muito antipatizado conosco”, disse Arthur.

Sem mágoas

Arthur Neto afirma que tirou de seu coração qualquer rancor daquela época de regime militar, que atualmente ele tem uma relação com os militares que é privilegiada.

Quanto ao atual cenário da política brasileira, com o iminente impeachment da presidente Dilma, o prefeito analisou que não é uma simples troca de governo que vai solucionar o problema do Brasil. O prefeito disse ainda que anda bastante preocupado com o momento em que ao país vem vivendo, onde as pessoas já estão entrando em atos de agressões entre si.

Por Henderson Martins

2 Comments

2 Comments

  1. O Legalista

    31 de março de 2016 at 19:56

    O que teria acontecido ao Brasil caso os Militares assumissem o poder. É bem provável que seriamos uma outra nação cubana.

  2. Heverson Barros do Nascimento

    31 de março de 2016 at 08:41

    Discordo em parte do excelentíssimo senhor prefeito Artur neto. Houve sim episódios que mancharam a então chamada “ditadura militar” mas, pensemos e relembremos lendo o que a história conta que neste mesmo período, foi o momento em que mais cresceu o Brasil. Hoje em dia se perdeu valores cívicos e morais do nosso país. Não sou a favor que o regime militar volte ao poder, mas apenas questiono em olharmos a história pelos lados de avança que foram obtidos, que soma grande maioria em relação aos episódios de desarcordo ocorrido. Tenho dito.

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