Economia

Disputa pelo poder acirra os ânimos no Sindmetal

Destituição de Valdemir Santana do comando do Sindmetal-AM gerou confusão e acirrou os ânimos entre dois grupos que lutam pelo controle do maior sindicato do Amazonas - foto: Marcio Melo

Destituição de Valdemir Santana do comando do Sindmetal-AM gerou confusão e acirrou os ânimos entre dois grupos que lutam pelo controle do maior sindicato do Amazonas – foto: Marcio Melo

Depois de ser afastado da presidência do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal-AM), o presidente do diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), Valdemir Santana, recebeu mensagem de solidariedade da direção nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

A entidade apontou que o afastamento dele se deu de forma coordenada por um grupo organizado composto por ex-membros da diretoria do sindicato vinculados a uma grande multinacional do ramo eletroeletrônico do Polo Industrial de Manaus (PIM).

Santana foi afastado do posto de presidente por força de liminar expedida pelo juiz plantonista da 12ª Vara do Trabalho de Manaus, Adilson Maciel Dantas.

A decisão cumprida pelo oficial de justiça Arquibaldo de Sá Teixeira, apontava inúmeras denúncias de irregularidades na última eleição da entidade, ocorrida em abril desde ano. Toda a diretoria do sindicato foi afastada.

Também presidente da CUT do Amazonas, Valdemir Santana, que estava no terceiro mandado à frente do Sindmetal-AM, tinha em “suas mãos” um dos maiores poderes de intervenção junto às empresas do PIM. Santana não se encontrava na sede do sindicato, no momento de cumprimento da ação judicial. Seus advogados informaram que o mesmo estava em uma consulta médica.

O presidente nacional da CUT, Vagner Freitas de Moraes, criticou o fato de a decisão sobre as três ações impetradas contra a diretoria terem saído de plantões judiciais. “Todos as ações da oposição, para destituir a diretoria eleita, foram feitas em plantões do tribunal”, apontou o presidente nacional da CUT, que convocou o corpo jurídico da entidade para avaliar a intervenção e tomar as medidas necessárias, no sentido de revisão do processo junto ao Tribunal Regional do Trabalho.

CUT condena interferência ‘externa’

Vagner Moraes apontou como “chefe do grupo” que tenta prejudicar o sindicato, o ex-diretor do Sindmetal-AM, Sérgio Nunes, que foi afastado “por desvio de comportamento, nas negociações salariais e de benefícios para a categoria”.

O grupo ainda seria formado por membro da sua família, como a sua cunhada Márcia Cavalcante Nápoles, entre outros conhecidos seus, que na avaliação do sindicalista, está tentando induzir a Justiça ao erro.

Atualmente, uma Junta Governativa provisória está à frente do comando do Sindmetal-AM por um período de três meses, que segundo o oficial de justiça Arquibaldo Teixeira, são prorrogáveis por mais 90 dias. Esse período se faz necessário para apurar as denúncias, a fim de que possam ser realizadas novas eleições.

A diretora sindical Dulce Sena lembrou que Márcia Cavalcante, que trabalha na LG, ocupa hoje o cargo de tesoureira da junta governativa. Segundo ela, o grupo é formado ainda pela irmã de Edson Damasceno, que também trabalha na LG, além de um empresário sócio de uma empresa de caldo de peixe, em Iranduba (a 27 quilômetros de Manaus). “É uma quadrilha que se instalou dentro da empresa LG. Eles enviaram fatos distorcidos e mentirosos para 320 e-mails de jornalistas do Amazonas”, disparou Dulce.

Acusações

Na manhã de quinta-feira o presidente da junta, Adriano Mendes, acusou a diretoria destituída de agressão a um trabalhador desconhecido, de artefato explosivo, que segundo ele teria causado destruição  na avenida Duque de Caxias. Por meio da assessoria, Valdemir Santana disse que todas as acusações são “mentirosas”.

“A prática desse grupo descontente, por não ter conseguido sequer montar uma chapa para concorrer à diretoria do Sindicato, no último mês de abril deste ano, é induzir as autoridades judiciais ao erro. Agora recorrem à mesma prática com os órgãos de imprensa”, disse o Sindmetal-AM por meio de nota.

A reportagem do EM TEMPO tentou sem sucesso contatar os membros da junta governativa para dar a sua versão dos fatos, mas não obteve sucesso.

Por Emerson Quaresma

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