Cultura

Discos de vinil ao alcance de todos

Entre o final dos anos 1980 e o início da década seguinte era comum, nas prateleiras de quem curte música, substituir LPs por CDs, graças ao “boom” dos disquinhos digitais no mercado. A aprovação do CD foi tamanha que, por um longo tempo, os discos de vinil ficaram restritos aos sebos e às estantes de quem optou em não se desfazer desses “bolachões” – por motivos estéticos, sentimentais etc.

O servidor público Richard Cruz faz parte da turma que trocou LP por CD. “Mas, há uns 2 anos eu ganhei uma vitrola da minha esposa e fui ouvir os dois ou três discos que ainda tinha guardados em casa. E gostei”, conta. Desde então, ele voltou a colecionar vinis e, para oferecer a oportunidade de venda e troca de LPs para interessados, vai realizar a “Garagem do Disco”, no dia 6 de dezembro.

Desde que voltou a curtir discos de vinil, o servidor público já reuniu uma “pequena coleçãozinha” de uns 200 LPs – boa parte de segunda mão. É que a realidade para quem curte esse formato é bem diferente da época pré-CD. Há gravadoras nacionais e estrangeiras que lançam discos de vinis novos, além de reedições, mas os valores são altos.

“O preço médio de um vinil novo é R$ 60. Um importado custa R$ 100, R$ 120. Mas tem muitas lojas on-line e de discos no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília que enviam pelos Correios”, diz Richard Cruz. “Apesar de gostar e ter algumas edições novas, acho que parte da graça é ir atrás dos antigos mesmo. Cada disco tem uma história, alguns têm dedicatória na capa escrita à caneta, o nome do antigo dono. Essas coisas são engraçadas”.

 

Foco

Richard Cruz lembra que a ideia de realizar a “Garagem do Disco” surgiu de uma conversa informal com a presença de sua esposa, Ivana. “Estávamos no stand do Beto Coelho, designer da GAO acessórios, no último evento do Studio 092, um coletivo de design e artes que faz bazares em Manaus. Durante a conversa, alguém perguntou: ‘Por que ninguém vende disco de vinil nesses eventos?’ A Ivana ‘deu pilha’ e só organizamos a ideia e convidamos as pessoas que eu sabia que tinham boa quantidade de discos bons para vender”, conta.

Ele esclarece que o foco do evento é diferente de uma “garage sale”, por exemplo. “Todos os envolvidos já promovem essa venda, seja em seus perfis de redes sociais ou têm lojas físicas ou negociam nos grupos especializados como o ‘Vinil Manaus’, que tem mais 1.200 membros. É mais como uma oportunidade de colocar todo esse pessoal no mesmo lugar e facilitar a vida de quem quer comprar discos, mas às vezes não sabe onde procurar ou não tem tempo de ir garimpar em vários lugares diferentes”, explica.

 

Somente música

O evento abrigará vendas de LPs, CDs e DVDs de todos os estilos musicais, vitrolas, lanches (sanduíches, tira-gostos) e bebidas. “A ‘Garagem do Disco’ vai tratar apenas de música, serão só itens relacionados ao tema. Vamos ter uns seis expositores de discos de vinil e uns quatro de CDs e DVDs. Cada um colocará seus discos para vender. Alguns vão aceitar trocas também”, explica Richard Cruz.

Entre os expositores estará Aldrim Almeida, do sebo Império Antiquário que, além dos discos de vinil, vai comercializar vitrolas novas (modelos Crosley) e usadas. “É para ninguém ter a desculpa de não ter onde ouvir”, avisa o organizador.

Estão confirmados ainda Jorge Bandeira, do sebo O Alienígena; Alexandre Neves, da Toca do Vinil, especializada em rock e MPB; Jean Carlos, ex-guitarrista da banda Ed Ondo, que levará CDs, DVDs e revistas de música; Felipe Cabral, que possui um stand na feira da avenida Eduardo Ribeiro especializado em rock clássico (Black Sabbath, Deep Purple, Pink Floyd); e Thiago Silva, vocalista da banda Holomodor, com 90 CDs entre importados, fora de catálogo e primeira prensagem. “A especialidade dele é heavy/black/death metal e alguma coisa de darkwave”, adianta Cruz.

Outros expositores são André Cardoso, do grupo “Vinil Manaus”, com 500 CDs de rock, e Endrix Dantas, da Manaós Distro, especializado em bandas independentes e underground, que levará LPs, compactos, cassetes, CDs e DVDs. “Além do João Neto, que comercializará 30 vinis, mas só clássicos de The Doors, Led Zeppelin, The Clash, Metallica e The Who, e 50 CDs. Ele vai aceitar trocar discos”, afirma o organizador.

Quem também promoverá trocas de discos de todos os estilos é Manuel Portuga, que foi DJ da banda João Pestana. Ele será ainda a atração musical da “Garagem do Disco” para discotecar exclusivamente com vinis. E o grupo feminino de grafite Trakinas Crew vai grafitar o muro do local do evento.

 

Por Luiz Otavio Martins

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