Política

Dilma diz que não permitirá que a democracia seja ‘manchada’

Sem citar nomes, a petista ressaltou que o governo federal não defende a violência - foto: divulgação

Sem citar nomes, a petista ressaltou que o governo federal não defende a violência – foto: divulgação

Em meio ao processo de impeachment contra o seu mandato, a presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira (1º) que não permitirá que a democracia seja ‘manchada’.

Sem citar nomes, a petista ressaltou que o governo federal não defende a violência, mas disse ser necessário oferecer resistência “às tendências antidemocráticas no país”.

“Nós hoje precisamos nos manter vigilantes e oferecer resistência às tendências antidemocráticas e às provocação. Não defendemos nenhum processo de perseguição a qualquer autoridade que pensa assim ou assado. Não defendemos a violência, mas eles defendem. Eles exercem a violência”, disse. “Não vamos permitir que a nossa democracia seja manchada”, acrescentou.

O discurso do “nós” e “eles” lembra o tom adotado pelo marqueteiro da campanha presidencial de 2014, João Santana, que foi preso na Operação Lava Jato, para diferenciar a gestão petista da administração tucana.

Em evento que autorizou a regularização de propriedades rurais para quilombolas e sem terras, a presidente disse ainda que aspectos da democracia estão ameaçados. Segundo ela, um dos pontos é o aspecto formal, chamado por ela de “regras do jogo”.

“Elas [regras do jogo] não podem ser rompidas porque se rompem as regras, compromete o jogo, torna o jogo suspeito. E torna a relação entre as pessoas problematizada”, afirmou.

Segundo ela, não há democracia quando os direitos de uns são atropelados pelos arbítrios de outros. Ela ainda defendeu que, diante do momento delicado, em vez do país estar discutindo o impeachment, era a hora de debater medidas para garantir o crescimento econômico e o desenvolvimento social.

Em tom crítico, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, acusou também “forças apegadas ao retrocesso” de defenderem o impeachment da presidente. Segundo ele, as mesmas forças demonstraram no passado que “não têm apego à democracia”.

MORO

Antes dos discursos começarem, representantes de entidades de sem-terra e quilombolas entoaram palavras de ordem, como “não vai ter golpe”, e de resistência do movimento negro. Os gritos duraram mais de cinco minutos e obrigaram o mestre de cerimônias a pedir atenção para o início da cerimônia.

Em discursos duros, integrantes dos movimentos sociais chamaram o juiz Sergio Moro de “golpista” e ameaçaram invadir latifúndios improdutivos caso a reforma agrária não avance no país.

“O juiz Sergio Moro, esse golpista, prendeu nossos companheiros há três anos sem justificativa. Nós não cometemos crimes, e quem comete crime é o latifúndio e o juiz Sergio Moro, que faz com a sua caneta maldades contra o povo brasileiro”, disse o o coordenador nacional do MST (Movimento dos Sem Terra), Alexandre Conceição.

Pelo terceiro dia seguido, o Palácio do Planalto tem realizado cerimônias para fazer frente aos pedidos de saída da petista.

Na quarta-feira (30), evento do Minha Casa, Minha Vida tornou-se palanque para críticas ao juiz Sergio Moro e ao vice-presidente Michel Temer. No dia seguinte, foi a vez da presidente receber o apoio de artistas e intelectuais contrários ao impeachment.

Novos eventos com o mesmo intuito estão sendo estruturados para a semana que vem, como cerimônias com mulheres e feministas e com representantes de entidades de direitos humanos.

A assinatura de decretos de regularização, que disponibilizaram uma área total de 56 mil hectares, ocorre após a presidente ter sido criticada por ter paralisado a reforma agrária no país, uma bandeira tradicional do PT.

Desde janeiro, o governo federal não realizava desapropriações para fins de reforma agrária de terras consideradas improdutivas.

Ao todo, segundo a presidente, foram assinados nesta sexta-feira (1º) 25 decretos de regularização- 21 para reforma agrária e 4 para quilombolas.

Por Folhapress

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir