Cultura

Dia Mundial do Rock: Bandas do Amazonas falam sobre a resistência do gênero

 

Roqueiros locais celebram a data, mas criticam o mercado local por falta de espaço para executar trabalhos autorais – fotos: Divulgação

O rock surgiu nos Estados Unidos na década de 1950, influenciado por gêneros musicais como o folk, o country, a música clássica, o jazz e se perpetuou como um dos gêneros mais populares até hoje, com seus vários subgêneros. O som único de bandas como Beatles, Queen, Metallica, Led Zeppellin e Guns ‘n’ Roses foi eternizado na lembrança dos apreciadores que permaneceram fieis a esses artistas antológicos. Em Manaus, o gênero também é bastante querido, tanto é que muitas apresentações das bandas locais são covers. Nesta quinta-feira (13), comemora-se o Dia Mundial do Rock.

Dia Mundial do Rock em Manaus

Em Manaus, o Dia Mundial do Rock será comemorado com uma série de eventos em bares que já criaram uma tradição em proporcionar boa música para os apreciadores do gênero. Alguns locais, inclusive, incorporaram isso como identidade, como é o caso do Porão do Alemão, que completa 19 anos hoje, oferecendo atrações diversas, que iniciam a partir das 16h. O local já recebeu artistas nacionais e internacionais como Sebastian Bach, da banda americana Skid Row. Outro local que vai comemorar o Dia Mundial do Rock é o Jack ‘n’ Blues Snooker Pub. Até sábado, Mr. Old, Berserkers Echoes e Vogons irão se apresentar no bar.

Black Cold

Apesar de ser uma oportunidade para as bandas locais ganharem visibilidade, a preferência pelas releituras representa uma dificuldade para os artistas divulgarem seus próprios trabalhos, conforme avalia o cantor Márcio Tinoco, vocalista da Black Cold.

“O público de Manaus absorve muito a música cover. Isso impede que os grupos divulguem suas próprias canções”, afirma.

Por conta desse entrave, o artista se arriscou em investir na carreira nacional, no eixo Rio – São Paulo. A Black Cold prepara o lançamento do seu primeiro álbum, “Além de Um Sonho”.

“Grande parte dos artistas daqui tem medo de investir nesse mercado. Mas o principal problema é que eles não contam com o apoio de produtoras e gravadoras dispostas a apostar nisso. No nosso caso, tivemos a chance de mostrar o trabalho para uma empresa que está investindo. No Sudeste, eles não querem covers, querem conhecer a nossa identidade”. O primeiro single do álbum se chama “Casa Nova” e o clipe deverá ser gravado nas próximas semanas.

 

Em Manaus, o Dia Mundial do Rock será comemorado com uma série de eventos em bares 

Banda Essence

O fundador e baterista da banda Essence, Carlos Araújo, revela que o grupo tem mais retorno em relação ao seu material autoral nos municípios do interior do Estado, diferentemente da capital. “Temos mais aceitação nessas localidades. As pessoas nos ligam dos locais mais longínquos, como Tabatinga, nos procurando e elogiando o nosso trabalho”.

Ele acredita que falta valorização para com os artistas amazonenses em Manaus. “Os grupos que estão há mais tempo no mercado, e até servem de exemplo para os novos artistas, deveriam ganhar mais reconhecimento. Muitos enxergam a música como uma parte desassociada, mas na verdade é o grande carro-chefe. É preciso ser perseverante para atuar no cenário musical”, argumenta.

Carlos Araújo acrescenta que a sobrevivência do rock no cenário pop é difícil, devido a ritmos mais predominantes como o sertanejo universitário. Segundo ele, as gerações que viveram a época de maior sucesso do gênero, na década de 1980, permitiram que ele continue vivo.

“O rock não é moda e nunca vai ser moda. É uma filosofia de vida”.

Completando 20 anos de trajetória neste ano, a banda Essence se prepara para lançar seu oitavo álbum autoral, no Teatro Amazonas, no próximo mês, num evento com entrada franca.

Critical Age

Um dos vocalistas da banda Critical Age, que completa 16 anos em outubro deste ano, Arisson Souza também afirma que não é possível viver unicamente de música. Ele é funcionário público e faz uma média de oito shows por mês na cidade com o grupo. “Estamos amadurecendo a ideia do nosso primeiro disco. Mas para isso, precisamos de estabilidade”.

Kássio Nunes
EM TEMPO

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