Dia a dia

Dia ‘D’ na luta contra a exploração infantil

Projeto “Um Novo Amanhã” tem como foco o atendimento psicológico, jurídico e social a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual – fotos: Divulgação

Nos últimos dois anos, a capital amazonense vem registrando casos chocantes de abusos contra crianças e adolescentes. Em sua maioria, o abuso é cometido por familiares da própria vítima. Para que esse tipo de atrocidade não se repita, esta quinta-feira (18), marca mais um Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Data instituída em 1973, depois de um crime bárbaro, que vitimou uma menina de apenas oito anos em Vitória, no Espírito Santo.

O caso “Araceli”, como ficou conhecido, ocorreu há quase 40 anos, mas, infelizmente, situações absurdas como essa ainda se repetem. Em Manaus, de janeiro a abril deste ano, foram registrados 234 casos de violência sexual, sendo 22 do gênero masculino e 212 do feminino, de acordo com dados da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca). No mesmo período de 2016, os números apontaram 277 casos. Um decréscimo de 16%. A maioria na Zona Norte da cidade (69), seguido da Zona Leste (63). Para aqueles que trabalham diariamente no combate e na punição de aliciadores, a rotina é repleta de histórias de dor, tristeza e também da sensação de injustiça.

A delegada Juliana Tuma, da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), ressalta que existem muitas Aracelis em todo o estado do Amazonas, que sofreram ou ainda sofrem com maus tratos e violência sexual. Segundo a delegada, todos os dias são noticiados casos de abusos e exploração de crianças e adolescentes na delegacia, o que demostra que a população está se encorajando a denunciar, mas ainda é preciso muito mais para sanar esse mal da sociedade, o abuso de vulneráveis.

“O que vejo aqui é que ainda existem muitas pessoas que acreditam que abusar de crianças ainda é normal, que iniciar uma menina na vida sexual é normal, mas não é! Esse é um mês muito importante para chamar atenção, mobilizar e sensibilizar as pessoas para esse tema”, disse.

Hoje, a Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh) realiza a Caminhada de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, com concentração às 7h, na rotatória do Produtor, avenida Autaz Mirim, Zona Leste. Outra ação ocorre, por volta de 8h, na rotatória do conjunto Eldorado, bairro Parque Dez.

 Para aqueles que trabalham diariamente no combate e na punição de aliciadores, a rotina é repleta de histórias de dor

Fiscalizações são primordiais

O conselheiro tutelar Márcio Menezes, responsável por todos os conselhos da cidade e da Zona Rural, afirmou que ainda é preciso investir mais nos órgãos fiscalizadores do crime de abuso e exploração sexual para conseguir levar atendimento a famílias e poder ouvir crianças e adolescentes que são vítima de abusos.

“Temos 103 comunidades nas rodovias AM-010 e BR-174 e as pessoas dessas comunidades são desprovidas de informação, por conta disso, precisamos levar essa informação para as famílias. Temos que estar nesses lugares, pois somos um dos órgãos mais próximos da sociedade, eles confiam em nós e sinto que falta mais investimento do poder público para nos ajudar a combater esse mal”, explicou.

Ainda segundo o conselheiro, durante a semana, dois ou três casos são denunciados, dos quais 90% são verdadeiros. Os maus-tratos são mais comuns entre as denúncias, além de abandono de incapaz. “Um dos meus primeiros casos foi atender um menino de dez anos que morava em uma comunidade e que foi violentado. Eu via no olhar dele o medo, a dor e isso me tocou muito. Trabalhar com crianças e adolescentes violentados traz uma carga psicológica muito grande para a nossa vida, mas o fim do atendimento é recompensador, quando você tira a criança da situação de risco, quando leva a vítima para uma casa de acolhimento”, disse Menezes.

De acordo com o deputado Carlos Alberto, presidente da comissão de jovens e adolescentes, a campanha de hoje é importante para, mais uma vez, chamar a atenção das pessoas, conscientizar e informar para esses crimes monstruosos que acometem crianças e adolescentes. “É preciso todo um trabalho integrado, que começa desde casa, que passa em escolas com palestras, nos meios de comunicação, nas ruas, para informar e conscientizar estas pessoas. É necessário cada vez mais projetos que atuem na capital e no interior levando informação à sociedade, uma união das forças para acabar com esse mal”, declarou.

Ana Sena
EM TEMPO

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