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Economia

Desempregados usam a economia criativa para ganhar dinheiro

A taxa de desemprego no primeiro trimestre de 2017, registrada em 13,3%, teve um aumento de 2,1 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado – Divulgação

Você está desempregado e não sabe como conseguir dinheiro e pagar as contas vencidas? Saiba que a economia criativa tem estimulado diversas pessoas a garantir o sustento da família e a quitação das despesas do dia a dia. A taxa de desemprego, no primeiro trimestre de 2017, ficou em 13,3%, um aumento de 2,1 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado, quando a taxa havia sido de 11,2%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) e foram divulgados no fim do mês passado.

A economia criativa tem se aplicado ao setor da beleza e estimulado diversas pessoas a garantir o sustento da família – Reprodução

Para o professor e economista, Mourão Júnior, a economia criativa se torna uma importante aliada para pessoas desempregadas, pois com ela é possível usar a criatividade para transformar e gerar renda.

“Em um momento difícil de crise e aproveitando que o brasileiro e, principalmente do amazonense, é um povo criativo, você pode sim ganhar uma renda a mais. É comum ver pessoas investindo em diferentes ideias em questões rotineiras como, por exemplo, cozinhar”, informou Júnior, utilizando em sua defesa a expressão popular: “você conquista o cliente pela boca”.

“O amazonense é um apaixonado por comida”.

Ainda segundo Mourão, a economia criativa é usada por pessoas que estão fora do mercado de trabalho, seja por questão de estudo, idade ou adaptação.

“Geralmente esse tipo de economia é muito utilizada por pessoas que estão passando por dificuldades financeiras e precisam urgentemente de um meio para gerar renda. Por exemplo, todos têm habilidades em uma determinada área. Têm aquelas que possuem o dom de agradar o paladar com pratos de encher os olhos, já outros tendem a conquistar o gosto do público com o artesanato e a customização de roupas. Geralmente, essas habilidades são desenvolvidas no próprio ambiente familiar e aperfeiçoados ao longo dos anos com a convivência”, justificou.

O setor de estética e beleza é muito procurado por pessoas em busca de autoestima – Divulgação

Para o economista, o Amazonense é um povo criativo, descontraído e com atitudes que conquistam e despertam o consumidor.

“Temos um jeito só nosso de criar e que muitas pessoas utilizam para ganhar dinheiro. São coisas que só nós sabemos”.

Autoestima e renda 

Quando ficou desempregada em dezembro de 2016, a administradora Larissa Santos, 24, descobriu um modo simples de fazer um hobby se transformar em um meio para ganhar dinheiro.

“Eu moro sozinha e as coisas começaram a apertar e eu busquei meios para me virar. Eu sempre fui apaixonada por maquiagem. Desde pequena eu vivia me maquiando e treinando no rosto dos meus familiares e amigas. Então vi nisso uma grande oportunidade de conseguir dinheiro. Passei a maquiar mulheres para formaturas, aniversários e até festas de casamento – apesar de nunca ter maquiado noiva”, brincou Larissa, ressaltando que a maquiagem é autoestima.

“Eu faço isso para melhorar a autoestima de mulheres”.

Em 2016 a taxa de desemprego foi de 11,2% – Foto: Diego Janatã

Larissa revela que não possui especialização na área, porém isso não a impede de continuar ganhando dinheiro como maquiadora.

“Tenho poucas clientes porque ainda estou engatinhando nisso. Em média cobro R$ 70 para maquiar com os próprios materiais da cliente e R$ 100 quando uso os meus produtos. Em todos os casos, eu é que vou até a casa da pessoa. Estou vendo na maquiagem uma forma boa de aumentar a minha renda mensal. Por enquanto, estou cursando uma pós-graduação em administração de empresas, mas, assim que eu terminar, pretendo ingressar em uma especialização em maquiagem para ter um diploma e garantir mais credibilidade ao meu trabalho. Hoje em dia as pessoas buscam isso naqueles que oferecem algum tipo de serviço”, justificou.

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Para contribuir com o lucro de maquiadora, Larissa investe ainda na venda de produtos de beleza, cosméticos, perfumaria e peças íntimas. “Desde janeiro passei a vender lingeries e também maquiagens. Isso está me ajudando a garantir o pagamento das minhas despesas no fim do mês. Juntando tudo, consigo em média R$ 2,5 mil apenas de lucro mensal. Com esse dinheiro é que eu pago as minhas dívidas, me manter em casa e investir na compra de mais produtos. Apesar de eu estar sabendo administrar esse ramo empreendedor, eu penso em continuar a minha carreira como profissional de uma empresa. Quando aparecer um novo emprego na área, vou estudar uma forma de conciliar as duas coisas”, revelou.

O Dindin Gourmet é vendido em uma food bike – Divulgação

A criatividade para empreender  

Após ficar endividada por conta de uma viagem para participar de um congresso de comunicação, a jornalista Kethleen Rocha, 24, passou por necessidades financeiras ao voltar para Manaus e descobrir que estava desempregada.

“A empresa em que eu trabalhava faliu por falta de recursos financeiros para pagar os funcionários. Fiquei sem saber o que fazer, porque além de estar estudando, eu ainda tinha que arcar com as despesas em casa. Então foi aí que a minha irmã teve a ideia de criarmos algo para poder garantir a renda mensal. Foi a partir dela que surgiu a ideia de pegarmos algo convencional do nosso cotidiano e melhorar esse produto. Fazer com que algo que encontramos com facilidade, adote uma nova qualidade. Inventamos o ‘Dindin Gourmet’. Para ajudar na venda eu tenho uma food bike [bicicleta adaptada para negócio de rua]”, contou.

Kethleen diz que decidiu investir na ideia por causa da falta de oportunidade no mercado de trabalho e a disponibilidade de tempo, pois quando ficou desempregada ainda tinha que estudar. Porém, ela ressalta que atualmente pensa em conciliar uma oportunidade de emprego na área de comunicação com a venda do “Din-din Gourmet”.

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“Hoje participamos de feiras alternativas na cidade. O custo de produção é elevado porque prezamos pela qualidade dos nossos produtos. O retorno financeiro está na média de R$ 2,3 mil por mês e, com isso, consigo manter as contas em dias. As dívidas do começo, da época da viagem, foram quitadas e tudo que temos e utilizamos desde a produção, armazenamento e estrutura de exposição, foi paga com a venda dos dindins. No começo nós usamos apenas o congelador de uma geladeira simples, hoje temos o nosso próprio freezer”, comemora.

O retorno financeiro do Dindin Gourmet está na média de R$ 2,3 mil por mês – Divulgação

Por fim, Kethelenn revela que está feliz e satisfeita com o resultado de seu empreendimento. “Eu e todas as pessoas que são envolvidas no ‘Dindin Goumert’ estamos satisfeitas. Estamos sempre buscando melhorar e expandir o nosso negócio. Trabalhamos com encomendas para todo tipo de evento porque nessa nossa cidade dindin é bom em todo momento. Como as pessoas da minha família são as que mais dão auxílio, a renda é gerada para o benefício de todos. Em um futuro próximo, tenho a pretensão de oferecer mais produtos, mas isso ainda é um planejamento que logo deve sair do papel”, conclui.

Investimento

Mourão Júnior orienta ainda que os empreendedores aperfeiçoem suas ideias por meio de cursos ofertados no Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Amazonas (Sebrae-AM), onde, atualmente, há um leque de oportunidades que incentivam o crescimento profissional, principalmente, para quem quer construir um negócio.

Isac Sharlon
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