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Derrotado em plebiscito, premiê britânico renuncia ao cargo

Cameron afirmou que o país precisa de outro líder para conduzir as negociações que vão selar a saída dos britânicos da EU – foto: ABr

Cameron afirmou que o país precisa de outro líder para conduzir as negociações que vão selar a saída dos britânicos da EU – foto: ABr

Uma hora depois de encerrada a contagem dos 17,4 milhões de votos que garantiram o histórico rompimento do Reino Unido com a União Europeia (UE), o primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou que vai renunciar ao cargo.

A escolha do novo premiê britânico, contudo, deve acontecer somente em outubro, quando o Partido Conservador se reúne para apontar o novo líder. A negociação da ruptura -o Brexit, fusão das palavras “saída” e “britânica” em inglês- deve levar dois anos.

Com os votos dos 382 distritos do Reino Unido apurados, a opção por deixar a União Europeia venceu por 51,9% a 48,1%, abalando mercados financeiros e provocando uma onda de choque e incredulidade global.

Cameron, que abraçou a campanha pela permanência no bloco europeu, afirmou na manhã desta sexta-feira (24) que o país precisa de outro líder para conduzir as negociações que vão selar a saída dos britânicos.

“Eu lutei na campanha [do plebiscito] do jeito que sei, de cabeça, corpo e alma. O país exige uma nova liderança. […] Os britânicos fizeram uma escolha muito clara e o Reino Unido precisa de uma nova liderança. Como primeiro-ministro vou fazer tudo que posso para segurar o navio durante as próximas semanas e meses. Mas eu não acho que seria certo para mim ser o capitão que orienta nosso país para seu próximo destino”, afirmou, ao lado da mulher.

A negociação da ruptura – o Brexit, fusão das palavras ‘saída’ e ‘britânica’ em inglês- deve levar dois anos e precisa ser referendada não apenas pelo Parlamento britânico como também pelo Conselho Europeu.

O resultado do plebiscito abalou mercados financeiros e provocou uma onda de choque e incredulidade global. A consulta popular registrou índice histórico de comparecimento -72% do eleitorado- e recorde de 46,5 milhões de eleitores registrados. Do total de votos válidos, o Brexit obtve 52%.

“Os do lado dos derrotados, eu inclusive, devemos lutar para que funcione. Acho que podemos ser um modelo de democracia”, afirmou Cameron. Cameron disse que vai pessoalmente a Bruxelas na próxima semana explicar a decisão do Reino Unido à UE.

Nesta sexta, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou que até o fim da negociação e a formalização dos termos de saída dos britânicos do bloco, o Reino Unido permanece sob as leis da UE.

Pressão
Ao abraçar a campanha pelo “fica”, Cameron sabia que tinha colocado em risco o próprio cargo de premiê.

Há 25 anos defendendo o rompimento com o bloco europeu, o líder do Ukip, Nigel Farage, defendeu nesta sexta que o dia 23 de junho vire feriado nacional no Reino Unido para defender que chamou de “dia da independência”. Farage também acredita que os britânicos abriram um importante precedente para plebiscitos Europa afora.

Além do risco de efeito dominó em outros países do bloco, que podem imitar a consulta popular para obter vantagem em negociações e romper com a UE, existe também a possibilidade de impulso a movimentos separatistas como o catalão e o escocês.

O resultado apertado do plebiscito mostra ainda que os britânicos estão divididos e terão de curar muitas feridas após a votação. Além da disputa pela liderança do Partido Conservador, que chegou rachado ao dia da votação, o plebiscito também expôs fragilidades no Partido Trabalhista.

Jeremy Corbyn, líder dos trabalhistas, apoiou a permanência no bloco europeu, e, por isso, também está sob pressão e com a cabeça a prêmio. À Sky News, o líder dos trabalhistas garantiu que não renuncia e defendeu que o Reino Unido dê início ao processo de negociação da saída do bloco imediatamente.

Por Folhapress

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