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Deputada britânica é morta a tiros, e campanha do ‘Brexit’ é suspensa

A deputada britânica Jo Cox, 41, morreu após ser ferida a tiros nesta quinta-feira (16) em Birstall, no norte do Reino Unido.

O assassinato da deputada em plena rua do pacato vilarejo de Birstall, próximo a Leeds, mobilizou adversários políticos e deixou o Reino Unido em choque.

Como um ato de respeito, defensores da permanência e da saída do Reino Unido da União Europeia decidiram suspender temporariamente as campanhas para o plebiscito, marcado para o dia 23 para decidir o futuro dos britânicos em relação ao bloco.

Cox foi atacada a facadas e a tiros por volta das 13h (9h em Brasília) no meio de uma rua em Birstall. Socorrida, ela morreu uma hora depois.

Um homem de 77 anos também foi ferido.

Enquanto Cox era atendida no hospital, a polícia deteve um suspeito -um homem de 52 anos conhecido na região como Tommy Mair. Um vizinho disse ao jornal britânico “The Guardian” que Mair é uma pessoa quieta, mas simpática, amigável e nada agressiva. Ele tinha o costume de podar voluntariamente a grama da casa de moradores mais idosos.

A polícia informa que não procura nenhum outro suspeito, tampouco outras pessoas com possíveis conexões com o ataque.

Armas foram apreendidas com o suspeito detido, entre elas uma arma de fogo ainda não especificada.

No Reino Unido, a aquisição e o porte de armas de fogo são extremamente controlados. Isso é considerado um privilégio, e não um direito, como ocorre nos Estados Unidos.

Motivo

Apesar do grande número de testemunhas, a polícia diz que a investigação ainda está em estágio inicial e evita falar em motivos para o ataque.

Relatos iniciais diziam que, antes do ataque, o agressor teria gritado “Reino Unido primeiro!”, lema da ultradireita britânica.

“Ódio não tem crença, raça ou religião, é venenoso”, lamentou o marido da deputada, Brendan Cox, com quem teve dois filhos.

Moradores de Birstall vão fazer uma vigília como último tributo à deputada.

Birstall era a base eleitoral de Cox, eleita deputada pela primeira vez em 2015. Representante do Partido Trabalhista, ela fez carreira trabalhando com caridade e era uma defensora ferrenha dos refugiados.

“É absolutamente trágico. Perdemos uma grande estrela”, lamentou o premiê britânico David Cameron, que suspendeu um discurso contra a saída do Reino Unido da UE.

Visivelmente emocionado, o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, não apenas lamentou a morte como fez questão de destacar que Cox dedicou a vida aos direitos humanos. “Ela foi morta na rua na área dela, enquanto trabalhava pelo povo. Violência não é resposta para nada. Deixa duas crianças que vão crescer sem nunca ver a mãe outra vez.”

Há 26 anos não há nenhum registro de assassinatos contra membros do Parlamento britânico. O último membro morto foi Ian Gown, vítima de um ataque a bomba atribuído ao IRA (Exército Republicado Irlandês) em 1990.

Antes dele, Sir Anthony Berry morreu também num atentado, em 1984, num hotel onde a então primeira-ministra Margaret Thatcher estava hospedada.

Por Folhapress

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