Sem categoria

Delegado de Juruá processa mãe de suposta vítima de abuso

Daniel Pedreiro da Trindade em uma de suas atividades como palestrante em escolas: segundo mãe de suposta vítima, o processo judicial visou intimidá-la para não levar caso à imprensa – foto: reprodução

Acusado de abusar sexualmente de pelo menos cinco meninas, com idades entre 11 e 16 anos, o único delegado de Juruá (a 671 quilômetros de Manaus), Daniel Pedreiro da Trindade, decidiu processar uma das pessoas que o denunciou. Trata-se da mãe de uma de suas supostas vítimas, cujos nomes são mantidos em sigilo como determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

O processo judicial é datado de 1º de junho, dois dias antes de o EM TEMPO divulgar o caso a partir da denúncia de familiares de supostas vítimas do delegado. Nele, Trindade pede R$31.520 de indenização por dano moral. No momento, o processo está parado porque o juiz declarou-se suspeito para analisar o processo. Geralmente, isto acontece quando o juiz tem algum tipo de ligação com uma ou ambas as partes.

“Ele tinha ameaçado fazer isso caso eu levasse o caso à imprensa, mas parece que ele nem esperou isso acontecer. É uma forma de me intimidar, de tentar me calar, mas isso ele não vai conseguir. Vou até o fim e quero ver a justiça ser feita para minha filha e para mim”, declarou a mãe processada pelo delegado.

A denúncia publicada pelo EM TEMPO levou o delegado a ser investigado pela Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública do Amazonas, em uma equipe liderada pelo delegado Renato Fonseca de Carvalho.

A investigação ocorreu entre 9 e 13 de junho, segundo documento ao qual a reportagem teve acesso, com a participação de um escrivão e um investigador. A autorização para o inquérito foi assinada pelo corregedor-geral Leandro Almada da Costa, no último dia 8.

Estava previsto para o delegado Renato entregar, ainda nesta semana, um relatório sobre a autenticidade das denuncias à Unidade em Apuração de Atos Infracionais. Entretanto, a Polícia Civil não confirmou se o relatório foi entregue.

Vale-tudo

Além de abuso sexual de menores, o delegado é acusado de violar os direitos humanos dos presos encarcerados na delegacia onde ele atua. A reportagem teve acesso a um vídeo onde o delegado aparece como uma espécie de juiz entre dois presidiários no corredor da delegacia e os incentiva a lutar.

O delegado Daniel foi aprovado no último concurso da Polícia Civil e ainda está no primeiro ano de trabalho, ou seja, em estágio probatório. Ele chegou a ser remanejado à delegacia de Carauari (a 786 quilômetros), a mudança seria motivada por denúncias de familiares das vítimas e pela divulgação do vídeo onde os presos praticam luta-livre.

O novo endereço de trabalho não chegou a ser usado pelo delegado. Ele impetrou um mandado de segurança e conseguiu reverter a situação na última sexta-feira (12).

O delegado Daniel Pedreiro da Trindade não foi localizado pela reportagem, ontem, para comentar o caso.

Por Daniel Amorim (equipe EM TEMPO)

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir