Política

Delatores de construtora dizem que Braga e mais dois receberam propina por construção de estádios da Copa

Braga ocupa o cargo há 22 dias - foto: divulgação

Braga foi citado por executivos da Andrade Gutierrez – foto: divulgação

O ministro de Minas e Energia e ex-governador Eduardo Braga (PMDB) foi citado por executivos da Andrade Gutierrez – juntamente com os ex-governadores de Brasília, Agnelo Queiroz (PT), e do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB) –  como responsável pela construção de estádios para a Copa do Mundo de 2014 em delação premiada firmada com a Procuradoria-Geral da República. A informação foi veiculada nessa sexta-feira (8) pelo Jornal Nacional.

A reportagem não cita valores negociados. No caso do ex-governador do Rio, o programa da TV Globo afirma que Cabral recebeu também contribuições da empreiteira por obra executada no Complexo Petroquímico do Rio (Comperj).

À emissora, Cabral negou e manifestou indignação com as afirmações do delator que envolvem o nome dele. O advogado de Agnelo disse que seu cliente desconhece qualquer fato citado na colaboração premiada. Eduardo Braga afirmou que saiu do governo do Amazonas em março de 2010 sem ter assinado contrato ou pagamento de obras relacionadas com a Copa.

‘Recomendação’. Os executivos citam em depoimento o ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, Ricardo Berzoini. Ex-presidente da empresa, Otávio Azevedo relatou aos procuradores da Lava Jato reunião com Berzoini na qual o petista avisou a ele que as contribuições para o partido não deveriam ser apenas sobre obras da Petrobrás, mas também de outras áreas da administração. A partir da “recomendação”, a empresa teria, então, iniciado repasses ao partido de parte dos valores de contratos relativos ao setor elétrico.

Berzoini confirmou ao Estado que se reuniu com Azevedo em 2008, ano de eleição municipal, para pedir contribuições ao PT. Ele disse não se recordar da data do encontro. “Estive uma vez nas dependências da referida empresa, na condição de presidente nacional do PT, assim como estive em várias outras empresas, solicitando contribuição formal e legal”, afirmou. Ele alegou, contudo, que não houve “nenhuma vinculação a obras ou contratos, para sustentação das atividades partidárias”.

O ministro repetiu o discurso do partido de que “as contribuições da empresa estão devidamente registradas nas prestações de contas do PT, apresentadas regularmente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em nota, Eduardo Braga desmentiu as acusações. “Saí do Governo do Estado do Amazonas em Março de 2010, sem ter assinado contrato e nem realizado pagamento para obras relacionadas com a Copa do Mundo, muito menos para a Arena da Amazônia.

Por isso, recebo com indignação e surpresa  a citação do meu nome em supostos depoimentos ligados à Lava Jato.
Mas tenho certeza que a apuração correta dos fatos mostrará que, se tais citações realmente ocorreram, foram fruto de engano ou má fé.”

No sistema do tribunal eleitoral, constam R$ 5,8 milhões em doações da empreiteira ao PT em 2008. Em 2010, a empreiteira repassou, oficialmente, R$ 15,7 milhões ao à Direção Nacional do partido e ao comitê de campanha da presidente Dilma Rousseff.

Os executivos da Andrade sustentam nas delações que a empresa fez doações legais para campanhas do partido, mas com dinheiro do esquema de corrupção da Petrobrás que se repetiu no setor elétrico, em obras como a construção das usinas de Angra 3 e Belo Monte, que foi o primeiro grande empreendimento da construtora na área de energia. Em troca de contratos com órgãos públicos, as empresas repassavam dinheiro para o PT, PMDB e PP.

Berzoini é o quinto ministro do PT que teve o nome envolvido na Operação Lava Jato. Também foram citados os ministros Edinho Silva, Aloizio Mercadante, Jaques Wagner e José Eduardo Cardozo. Além deles, também foi citado o assessor especial da presidente, Giles Azevedo.

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