Esportes

De olho no dólar e em filho, Cielo não descarta mudança brusca rumo ao Rio

O fracasso no Mundial de Kazan, em agosto, já é problema do passado, segundo Cesar Cielo. No momento, o nadador paulista de 28 anos tem outras preocupações rumo à Olimpíada do Rio, em 2016, como o nascimento do filho e a alta do dólar.

A escalada da moeda norte-americana, que na na tarde desta quinta-feira (3) estava cotada a R$ 3,76, por exemplo, pode influenciar no número de competições que o campeão olímpico de 2008 pode fazer até os Jogos de agosto de 2016.

Já o primogênito é algo mais imediato, para as próximas três semanas, quando está previsto o nascimento de Thomas, filho dele com a modelo Kelly Gisch.

Todas essas preocupações, no entanto, não apagam o fato de Cielo estar em sua pior temporada desde que explodiu como um campeão no Pan do Rio, em 2007.

Pela primeira vez em oito anos, ele vai terminar a temporada sem uma grande conquista. No Mundial disputado na Rússia, ficou em sexto na prova dos 50 m borboleta e nem sequer disputou os 50 m livre, prova da qual é tricampeão e recordista mundial. Abandonou a competição em Kazan alegando lesão no ombro esquerdo.

“Não é nada sério, não. Minha vida está normal, estou conseguindo carregar as coisas. Mas aquele 101% que você precisa estar no alto rendimento ficou afetado [no Mundial]. Agora é recuperar da lesão e recuperar a confiança. Não tenho dúvida que, em dezembro, estarei na melhor forma de novo”, disse Cielo em entrevista coletiva, nesta quinta (3), durante apresentação de seu novo patrocinador, a Unicred.

O primeiro Mundial desde a edição de Roma-2009 em que o principal nadador brasileiro sai sem medalha, porém, ainda pode afetar sua preparação rumo ao Rio-2016.

“Tem que mudar se precisar, sem medo nem receio. Nunca tive medo de mudar de técnico ou de lugar de treinamento”, afirmou o nadador que é atleta do Minas, treina e mora em São Paulo, mas passou anos se preparando nos Estados Unidos. “Algumas coisas vamos ter que repensar. E sem receio de fazer uma mudança brusca. Vou fazer o que estiver nas minhas mãos”, explicou Cielo, que acredita poder brigar pelo ouro nos 50 m livre nos Jogos do Rio, ano que vem. Ele também acredita que pode conquistar uma medalha para o Brasil no revezamento 4 x 100 m livre.

Este ano Cielo montou uma equipe multidisciplinar exclusiva e, com Arilson Silva, chegou ao seu quarto técnico desde 2012.

“Ari [o técnico] é um grande parceiro. Estava nadando mais rápido do que nunca nos treinos com ele. Foi um ano atípico. E vou precisar rever algumas coisas. A moldura para 2016 está pronta, é só acertar algumas arestas. Um ano para a gente é água pra caramba que vai passar”, analisou Cielo. “Fica a decepção [do Mundial], mas quero deixar tudo no Rio, fazer o melhor tempo da minha vida na Olimpíada”.

Uma mudança que Cielo espera que não ocorra, entretanto, é nas viagens ao exterior para treinar e competir antes da Olimpíada. O vilão pode ser o dólar alto, que pode fazer a CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) repensar alguns investimentos.

“Com certeza muda [o plano]. É um volume muito grande de passagens áreas e hotéis para a confederação. As ações vão ser bem mais pensadas e mais específicas do que foram antigamente. Mas é o momento atual do país, vamos ter que respeitar e não exigir muita coisa. Espero que não afete nosso planejamento por causa do dinheiro, porque é um ano que não podemos parar de competir, e as grandes competições estão fora do país. Espero que melhore para o ano que vem”, analisou Cielo, que agora tem sete patrocinadores além de Bolsa Pódio (R$ 15 mil mensais) do Ministério do Esporte e o apoio do Minas Tênis Clube.

FILHO

Em meio a temas mais áridos, Cielo se descontraiu ao falar da escolha do nome de seu primeiro filho: Thomas. A dificuldade, segundo o nadador, foi que ele não queria continuar a sequência de Cesar na família (ele se chama Cesar Cielo Filho). Mas também porque não queria que o primogênito tivesse o nome de um de seus grandes rivais na natação.

A mulher, Kelly, pensou em Fred (o que o lembrava o francês Frédérick Bousquet); depois, cogitaram Bernardo (o que o fazia lembra de outro rival da França, Alain Bernard); por fim até Guilherme foi descartado, em razão do brasileiro Guilherme Guido. Concordaram com Thomas, que deve nascer ainda em setembro.

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir