Cultura

Daniel Craig vive James Bond pela quarta vez

Daniel Craig está de volta às telonas, como 007, a partir de hoje- foto: divulgação

Daniel Craig está de volta às telonas, como 007, a partir de hoje- foto: divulgação

A primeira impressão ao final do novo filme da saga de James Bond, ‘007 Contra Spectre’ é a de que sua história foi reduzida. Embora seja vigoroso e impecável tecnicamente, reside nele uma expectativa de superar plano a plano o legado deixado, não só pela longeva franquia, mas precisamente pela tetralogia vivenciada pelo ator Daniel Craig, que chega ao fim nesta produção.

Depois de todo o refinamento em ‘Skyfall’ (2012), seja na perícia fotográfica (de Roger Deakins), no trabalho do elenco ou mesmo no desenvolvimento dos personagens, a expectativa para ‘…Spectre’ sempre esteve muito alta. E o diretor Sam Mendes ainda precisou, em mais uma mostra que se encerrou a era de Daniel Craig (embora não seja oficial), pôr fim às questões levantadas desde “Cassino Royale” (de Martin Campbell) e ‘Quantum of Solace’ (de Marc Forster), sobre quem estava por trás de todo o mal, nunca explicado. A resposta é Spectre. Em uma tomada única em meio à Festa dos Mortos na Cidade do México, já vemos James Bond atrás do mafioso italiano Sciarra (Alessandro Cremona).

Sua missão é matá-lo, mas antes de atirar, escuta que ele tem um plano de explodir um estádio. O instinto do agente secreto fala mais alto e, após causar uma explosão que destrói o bairro, dá início a uma ensandecida perseguição, com direito a rasantes de helicóptero em meio à multidão (na Praça Zócalo).

Sciarra é a ponta de um novelo a ser desenrolado por Bond, que atua sempre à revelia de seu novo chefe M (Ralph Fiennes), contando com o apoio dos agentes Q (Ben Whishaw) e Moneypenny (a bela Naomie Harris).

Estes por sua vez têm suas próprias ameaças para resolver, quando C (Andrew Scott), o novo diretor do serviço secreto britânico, pretende fundir o MI5 e o MI6, desmantelando o programa de M. Bond se vê, assim, sozinho para aniquilar a organização criminosa global, a Spectre, que, descobre-se depois de um encontro com a nada inconsolável viúva de Sciarra (uma má aproveitada Monica Belluci), ser liderada pelo enigmático Oberhauser (Christoph Waltz).

Para encontrar o vilão, o agente ainda contará com a ajuda de um antigo desafeto (dos primeiros filmes) o Mr. White (Jesper Christensen). A ajuda virá na pele de sua filha Madeleine Swann (Léa Seydoux), aqui, o interesse amoroso e não apenas casual de Bond. Com o enredo armado e repleto de ação, o filme corre para o ato final em uma velocidade com pouco equilíbrio. O rigor estético de Mendes enfraquece frente à necessidade de reunir as histórias e criar seu desfecho de forma harmônica.

O mesmo pode ser dito do roteiro, que cede ao sentimentalismo exagerado, um pouco fora de quadro em um filme de James Bond. Porém, esses percalços não desmerecem o conjunto, ou mesmo a tetralogia, que mudou a forma e o estilo de 007, não apenas o seu rosto. Mendes percebe isso e não deixa de fazer homenagens a esse rico passado, nas múltiplas referências que introduz em seu trabalho, como assentos ejetores ou gatos brancos da vilania, que rememoram títulos da década de 1960.

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