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Custos e burocracia atrasam novos medicamentos, diz diretor da Fapesp

O Brasil caminha lentamente quando o assunto é inovação. Os principais entraves para a inovação na área de pesquisa médica e farmacêutica são o alto custo da pesquisa e a burocracia inerente ao processo para se testar e aprovar um novo medicamento.


“O Brasil criou nos últimos anos uma série de incentivos à inovação, mas não diminuiu os enormes obstáculos para as empresas fazerem pesquisa”, afirmou Carlos Henrique de Britto Cruz, diretor científico da Fapesp.

Segundo Cruz, os custos trabalhistas e tributários muitas vezes inviabilizam a pesquisa privada e acabam por anular os esforços dos programas de incentivo ligados à entidades como Fapesp, Finep e Proforma.

Para Paulo Hoff, diretor-geral do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), o avanço da inovação na área médica no Brasil também esbarra em questões culturais. Há um estímulo nas universidades para a publicação de artigos científicos, mas não há o mesmo empenho para incentivar os pesquisadores a gerar novas patentes.

“Muito do que estudamos hoje poderia gerar novas patentes de medicamentos, mas estes processos não avançam por causa da burocracia para gerar ensaios clínicos. Hoje 40% dos pacientes com câncer vão morrer da doença, por isso precisamos acelerar a criação de novos medicamentos”, diz Hoff. Na área de oncologia, a inovação se faz ainda mais necessária.

Aproximar os institutos de pesquisa e a indústria é um dos precedentes para acelerar os processos de inovação. “Há um bom conjunto de colaboração entre universidades e empresas privadas. Além disso, a Anvisa tem tomado medidas regulatórias para aperfeiçoar o ambiente de testes para novos medicamentos”, afirmou Jarbas Barbosa, secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde.

Mesmo com as dificuldades, o Brasil tem condições de avançar a criação de patentes de novas drogas, mas precisa investir mais em pesquisa privada, alega Carlos Goulart, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Médica (Abimed). Nos últimos quatro anos, a economia brasileira cresceu em torno de 10%, mas a produção local de medicamentos caiu de 37% para 31%. “A verdade é que continuamos patinando quando o assunto é inovação”.

Por Folhapress

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