Dia a dia

Curso treina profissionais para atender as minorias em Manaus

O curso é ministrado pelo Instituto Integrado de Ensino de Segurança Pública - foto: Ione Moreno

O curso é ministrado pelo Instituto Integrado de Ensino de Segurança Pública – foto: Ione Moreno

Desde o último dia 11, cerca de cem oficiais das polícias civil, militar e bombeiros, além de servidores do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM) participam da primeira edição do curso de Atuação Profissional Frente a Grupos Vulneráveis. O curso é ministrado pelo Instituto Integrado de Ensino de Segurança Pública, vinculado à Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM).

O objetivo consiste em capacitar profissionais de segurança pública na abordagem de ocorrências envolvendo minorias (como LGBTs) e vulneráveis. Nessa última categoria estão incluídos mulheres, deficientes físicos, indígenas e oficiantes de cultos afrodescendentes. A ideia do curso, partiu de grupos de defesa das religiões de matriz africana.

Em junho de 2014, o Ministério Público Federal acatou a proposta e solicitou que o IESP colocasse em prática a iniciativa. “A intolerância religiosa é uma questão cultural. Se o policial não observar os procedimentos corretos, o resultado são denúncias. Hoje, o brasileiro não aceita mais nenhum tipo de violência, principalmente aquelas causadas por policiais. Afinal de contas, são profissionais que têm a obrigação constitucional de defender o cidadão”, explica o diretor-presidente do Iesp, Coronel José Antônio Saraiva.

O curso segue até amanhã, no campus de uma faculdade particular da capital, e inclui noções de atendimento emergencial. Devido ao grande contingente de agentes oficiais, principalmente aqueles ligados à polícia, o curso deve ganhar novas edições. “Os agentes já recebem noções de abordagem no período de formação. No entanto, precisamos atualizá-los para que possam agir de acordo com o Procedimento Operacional Padrão (POP)”, ressalta. Dividido em seis módulos, o curso abordará ainda tópicos como atuação policial no trato com idosos e perfil da população em situação de rua.

Ameaças

No ano passado, inquérito conduzido pelo MPF mostrou índices crescentes de crimes contra pessoas ligadas aos cultos de origem africana. O documento revela ainda casos de ameaças contra sacerdotes e praticantes.

Para o presidente do Fórum Permanente de Afrodescendentes do Amazonas (FOPA-AM), tais práticas são resultado do que ele chama de um processo de “institucionalização” do preconceito. “O problema surge quando o policial avalia um cidadão negro de acordo com sua religião, por exemplo. A idéia de que o Brasil é um país laico não existe. Por isso, muitos oficiais acabam agindo de forma arbitrária”, afirma. “Não se trata de uma luta de negros contra brancos. Lutamos pela igualdade entre humanos”.

Na opinião da tenente Kellen Keuren, que atua na ronda Maria da Penha, os casos de violência contra as mulheres ganham disparado no ranking de ocorrências policiais. “Em geral, o parceiro acredita que a mulher é uma espécie de propriedade particular”, diz.

A título de informação, Kellen cita estudo publicado pelo Insituto Sangari em 2012, no qual o Brasil apresenta uma taxa de 4,4 homicídios para cada 100 mil mulheres – o que coloca o país na sétima posição do ranking mundial dos casos.

Por Daniel Amorim (Equipe EM TEMPO)

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir