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Cuidados podem evitar violência contra crianças, aponta Depca

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De acordo com a delegada titular da Depca, é praticamente impossível prever a ocorrência de crimes, como os recentes acontecimentos brutais registrados em Manaus – foto: Márcio Melo

Todo o cuidado com as crianças é pouco, afirma a delegada titular da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), Juliana Tuma. De acordo com ela, é praticamente impossível prever a ocorrência de crimes, como os recentes acontecimentos brutais registrados em Manaus, na última semana, tendo como vítimas um menino de 1 ano e 4 meses, mordido por todo o corpo e violentado pelo namorado da mãe, um jovem de 17 anos, e o sequestro seguido de morte da menina Jhuliany Souza da Silva, 7, cujo corpo foi encontrado enterrado em um terreno baldio, localizado em frente à residência em que morava no bairro Novo Aleixo, Zona Norte.


“Não há nada que possa apontar ou identificar precocemente o criminoso. Esses crimes brutais podem acontecer com qualquer um, uma vez que o assassino, estuprador ou torturador não tem uma placa de identificação. O que podemos realmente fazer para evitar o aumento desses casos é redobrar os cuidados com as crianças. Porque não existe um motivo específico para cometer essas violências. Os criminosos, quando são capturados, nunca apresentam uma justificativa. Alegam que estavam sob o efeito de drogas ou dizem que não sabiam onde estavam com a cabeça. Alegam até que sofrem de algum transtorno mental, mas nunca falam o real motivo. Eles agem por crueldade mesmo ou por desvio de comportamento”, salienta.

A avaliação da delegada pode ser exemplificada com o que aconteceu com a garota Jhuliany, morta por um vizinho que mantinha um relacionamento de amizade com a família. Foi necessário apenas um pequeno descuido da irmã mais velha para que o acusado tirasse a vida da garota em poucos minutos.

Ainda inconformada com a morte da filha caçula, Lucenilda Souza da Silva, 38, diz que jamais imaginou que o vizinho, o ajudante de pedreiro Francinaldo Marialva Pereira, 25, cometeria uma brutalidade com Jhuliany. Segundo ela, durante o tempo em que morou próximo à casa do criminoso, nunca desconfiou das atitudes dele.

“Nunca mais serei a mesma, a minha paz foi tirada, nunca mais serei feliz. Tive apenas um encontro cara a cara com o mostro que matou a minha filha, logo após a prisão dele. A única coisa que consegui falar para ele foi que irá pagar por tudo que fez com a minha filha e que ele era o pior monstro da Terra”, desabafa.

Uma semana após a morte da filha, Lucenilda afirma que está vivendo os piores dias da sua vida e que o medo, a saudade e a revolta viraram seus companheiros e que, além dela, os outros cincos filhos também tiveram a vida destruída com o assassinato de Jhuliany.

“Minha família precisou sair do local, pois tudo naquela casa me lembra ela. Cada canto, cada objeto. Não consigo parar de pensar um minuto na minha filha, de como ela sofreu antes de morrer. E isso tem me tirado o sono todos as noites. Parei de trabalhar, de andar na rua e ainda tenho que ser forte para amparar meus outros filhos, que choram direto com saudades da irmã. O pai da Jhuliany foi embora de Manaus porque não aguentou viver mais aqui. Agora somos nós que viramos prisioneiros. Mas eu ficarei aqui, pois preciso que a Justiça seja feita”, afirma.

Segundo ela, mesmo sendo criança, Jhuliany já fazia planos para o futuro. Conforme Lucenilda, o assassino interrompeu não somente os desejos de uma criança inocente, mas de toda a sua família, que acreditava na força de vontade da menina para mudar a realidade da mãe e dos seus irmãos.

“Ela sempre falou que seria veterinária. Tinha amor por animais e isso movia a vontade dela de estudar. Jhuliany falava ainda que quando fosse adulta e já atuante na sua profissão, iria comprar uma casa grande com varanda e bastante plantas para que eu e os irmão dela tivéssemos mais conforto. Moramos na quitinete alugada e isso também era um dos motivos para que a minha filha tivesse esse sonho de nos dar uma casa própria. Tudo isso foi arrancado da gente de uma forma cruel, monstruosa e impiedosa. Hoje, o que restou foram apenas os brinquedos dela e algumas peças de roupas que guardarei para sempre como lembrança”, declara.

Por Gerson Freitas e Michelle Freitas

1 Comment

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  1. Joab

    20 de junho de 2016 at 08:44

    …mulheres indo trabalhar p poder comprar um celular novo, ou um carro, enfim, deixando os filhos na casa dos outros, em creches ou até mesmo na própria casa…uma hora algo ruim acontece.

    FILHO PRECISA SER CUIDADO PELOS PAIS, EM CASA, SALVO EXCEÇÕES (mãe solteira ou pai solteiro).

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