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Cuba é o primeiro país a eliminar a transmissão do HIV de mãe para filho

Cuba se tornou nesta terça-feira o primeiro país do mundo a receber a validação da Organização Mundial da Saúde (OMS) por ter eliminado a transmissão do vírus da Aids (HIV) e da sífilis de mãe para filho.

O anúncio foi feito nesta terça-feira pelo ministro da Saúde Pública de Cuba, Roberto Morales Ojeda, em entrevista coletiva na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (OPS/OMS), em Washington.

“O sucesso de Cuba demonstra que o acesso universal e cobertura universal de saúde são viáveis e são de fato a chave para o sucesso, mesmo contra um desafio tão assustador quanto o HIV”, disse Carissa F. Etienne, diretora regional das Américas na Organização Pan-Americana da Saúde.

A transmissão dessas doenças de mãe para filho é considerada eliminada quando as taxas de infecção são tão baixas que não são mais consideradas um problema de saúde pública.

No caso do HIV, esse número é de 2 a cada 100 bebês nascidos de mãe com HIV, que é considerada a menor taxa possível com os métodos de prevenção disponíveis atualmente. No caso da sífilis, a eliminação é definida em menos de 1 caso por cada 2.000 nascidos vivos.

Segundo a OMS, a cada ano 1,4 milhões de mulheres infectadas com HIV engravidam. Sem tratamento, a chance de transmissão do vírus para o bebê é de 15 a 45% durante a gravidez, parto ou amamentação.

O risco, no entanto, cai para quase 1% se tanto as mães quanto os bebês são medicados com antirretrovirais durante esses estágios em que a transmissão pode ocorrer.

No caso da sífilis, a opção de tratamento das mães é a administração de antibióticos, como a penicilina.

Ojeda atribuiu este marco ao sistema de saúde estabelecido após o triunfo da revolução cubana há mais de meio século, um sistema que definiu como “gratuito, acessível, regionalizado e integral”.

“Estamos na total disposição de ajudar outros países”, assegurou o titular da Saúde cubana, para comentar que já recebeu solicitações, por exemplo, de países africanos.

Por sua vez, a diretora da OPS, Carissa Etienne, disse que todos os países da região se comprometeram em 2010 a conquistar o que Cuba alcançou hoje.

“Imagino que o novo tempo político entre Cuba e Estados Unidos só pode ajudar a alcançar esta conquista, mas Cuba também trabalhou com outros membros da organização para aumentar o acesso à saúde”, afirmou Etienne.

Em maio de 2014, foi criado um comitê regional de validação de países sobre a eliminação da transmissão do vírus da Aids (HIV) e da sífilis de mãe para filho.

Um grupo de 14 especialistas independentes de diferentes áreas do continente é encarregado de avaliar quais países podem ser recomendados para a validação global neste tema.

Cuba foi o primeiro país em solicitar esta avaliação, um processo que já foi iniciado por Barbados, Jamaica, Anguila e Ilhas Virgens. Também foi estabelecido um primeiro contato com Guatemala, El Salvador e Chile.

Por Folhapress

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