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Cristina diz que há risco de volta de “políticas neoliberais”

Depois de quebrar e decretar o maior calote da história, em 2001, a Argentina renegociou sua dívida externa em 2005 e em 2010, já sob o governo dos Kirchner - foto: divulgação

Depois de quebrar e decretar o maior calote da história, em 2001, a Argentina renegociou sua dívida externa em 2005 e em 2010, já sob o governo dos Kirchner – foto: divulgação

A presidente Cristina Kirchner alertou, nesta quinta-feira (9), para o que considera uma tentativa de retorno das políticas neoliberais na Argentina e no continente.

“Houve e haverá, na região também, tentativas de voltar a políticas neoliberais, nas quais o Estado desapareça para permitir que outros façam seus negócios”, disse a presidente. Segundo ela, a grande discussão do século 21 será a soberania das nações diante de pressões externas.

O discurso de Cristina foi proferido no dia em que a Argentina comemora os 199 anos de sua independência. Para o kirchnerismo, as decisões tomadas na última década, de renegociar a dívida externa e de não pagar os chamados fundos “abutres”, são políticas de afirmação da independência do país.

Depois de quebrar e decretar o maior calote da história, em 2001, a Argentina renegociou sua dívida externa em 2005 e em 2010, já sob o governo dos Kirchner.

No ano passado, um grupo de investidores que não aceitaram a renegociação (os fundos “abutres”) ganhou na Justiça o direito de cobrar parte da dívida, decisão que foi rejeitada pelo governo argentino. O impasse mantém o país fora do mercado internacional de crédito.

Cristina afirmou, nesta quinta (9), que os “abutres” hoje sobrevoam a Grécia e Porto Rico (ambos à beira de um calote) e que a Argentina está brigando nas Nações Unidas para a formulação de regras para a reestruturação de dívidas de países.

Segundo a presidente, as decisões de seu governo foram muito criticadas e desacreditadas. Mas foi graças a elas, afirma, que “os argentinos podem falar de cabeça erguida sobre uma independência a sério”.

“Hoje podemos dizer que este projeto deu independência ao país e honrou o legado dos que tanto lutaram”, afirmou.

Protecionismo

A presidente defendeu ainda as políticas protecionistas do seu governo, afirmando que elas permitiram um processo de reindustrialização do país.

“Em 12 anos [de governo], conquistamos uma reconstrução econômica e social que permitiu aos empresários nacionais ganharem como nunca na história.”

Cristina também pediu o voto nos candidatos de seu partido para manter as políticas de sua gestão. Chegando ao fim de seu segundo mandato, a presidente não poderá concorrer a mais uma reeleição.

“Não se trata de ideologias, é puro pragmatismo. Se os argentinos não defenderem o que conquistamos em 12 anos, voltarão as políticas neoliberais”, disse ela.

A presidente discursou ao lado do candidato de seu partido à Presidência, Daniel Scioli, e também de outros políticos que estão em campanha para as eleições de outubro deste ano no país.

Por Folhapress

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