Economia

Crise mais forte que o calor prejudica setor de bebidas em Manaus

Segmento de bebidas frias amargou queda de 7,5%

Segmento de bebidas frias amargou queda de 7,5% – foto: arquivo

Os problemas causados pela crise econômica são mais danosos que o verão em Manaus. Prova disso é a indústria de bebidas frias, que amargou queda de 7,5% na produção de junho para julho, segundo levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), na última quarta-feira (8).


Diante da crise, o calor que nem amazonense aguenta, considerado o mais intenso dos últimos anos, não consegue alavancar as vendas de bebidas frias na indústria nem no comércio da capital.

Com o enorme calor, de acordo com o vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Bebidas de Manaus (Sindbem), Antônio Carlos da Silva, seria natural o crescimento do volume de produção de bebidas e o aumento do faturamento do setor, contudo o cenário é outro.

Segundo ele, a queda tem ocorrido, principalmente, por conta do que está em torno da crise econômica e política que o país enfrenta. No entanto, Silva tem esperança nos próximos meses. “Vamos ver como fica nos próximos meses, com as festividades no fim de ano poderemos ter um pequeno crescimento. Mas enquanto isso não ocorre vamos amargar a queda”, afirmou.

Silva explicou que outro fator na queda da produção de bebidas é o alto índice de desemprego, que causa a redução do consumo por parte das famílias. “A desativação de uma empresa com mil empregados, por exemplo, também afeta os familiares desses funcionários. A compra de gêneros alimentícios recua e o refrigerante e outras bebidas passam a ser supérfluos no orçamento. Se não tem emprego não tem renda, e a população não tem como comprar”, explicou.

O vice-presidente do sindicato alertou que haverá mais desempregos nesse ano, e que os consumidores precisam cortar gastos. Ele ratificou que a população está retraída ao comprar bebidas, e por isso as vendas estão diminuindo.

Ao contrário do que diz a indústria, o gerente do supermercado Casa do Óleo, Ivan Araújo, afirmou que as vendas no estabelecimento continuam boas. Segundo ele, o supermercado não sentiu o golpe da queda de produção. “Não existe crise no setor de bebidas, ainda mais nesse calor. Estamos tendo que repor estoque com bastante frequência”, ponderou.

Consumidor

A queda na produção é um reflexo das consequências do momento econômico do país. Consumidores se retraem e enfraquecem as vendas de bebidas. É o caso da professora de música Livya Deusiane Procópio, 27. Ela contou que mudou os hábitos de consumo para não se prejudicar financeiramente.

“Antes eu comprava muito suco de caixa, ou de poupa, e também refrigerante para deixar na geladeira. Mas, como ficou um pouco mais caro, deixei de comprar. O suco que em média custava R$ 6, agora custa R$ 8 ou R$ 9. A única coisa que continuo indo ao supermercado para comprar é a água, pois no condomínio onde moro não tem filtro”, afirmou Livya.

Verão tem ajudado os pequenos

A queda na produção na indústria de bebidas, que causa desconforto nos empresários do setor, não tem surtido o mesmo efeito para o pequeno comerciante, que vende nas ruas água, refrigerante e água de coco.

O comerciante Paulo Matias da Silva, 67, que há 20 anos vende coco na Ponta Negra, é um daqueles que afirmam que as vendas estão boas. Ele ressaltou que a crise preocupa, mas o calor do verão tem ajudado nas vendas. “Água mineral e água de coco estão saindo bastante. Nas últimas semanas até aumentaram as vendas, porque o verão chegou”, disse.

Ele observou que os eventos realizados na Ponta Negra, Zona Oeste, também ajudam muito. “A crise vinha atrapalhando. Eu comecei o ano no vermelho, pois em 2014 vendíamos muito mais”, contou Paulo. Ele afirmou que atualmente tem vendido 300 cocos por semana, sendo cada um a R$ 5,00. Porém o vendedor ressaltou que além das dificuldades financeiras dos consumidores, o que tem atrapalhado o trabalho é a proibição da venda de refrigerantes, que, segundo ele, era o produto que mais gerou lucro no ano passado.

Por Asafe Augusto

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