Economia

Crise afeta o sonho do ‘carro zero’, em Manaus

Procura por carros usados tem sido maior nas concessionárias da capital amazonense, onde consumidores buscam economizar na hora de adquirir um automóvel, por conta da crise financeira que atinge a população – Diego Janatã

Procura por carros usados tem sido maior nas concessionárias da capital amazonense, onde consumidores buscam economizar na hora de adquirir um automóvel, por conta da crise financeira que atinge a população – Diego Janatã

Em ano de crise, o mercado de carros usados em Manaus se mostra como um bom negócio para quem busca economia e vantagens, tanto para quem quer comprar o primeiro veículo, quanto para quem busca trocar de automóvel. Entre as vantagens, segundo especialistas, estão o valor de depreciação de um zero quilômetro para um seminovo, que é encontrado com todos os opcionais a um custo mais em conta.

O microempresário Mário Alberto de Almeida, 37, que comprou o seu primeiro carro zero em 2012, diz que começou a planejar a troca do veículo por um novo, ano passado, mas foi pego pela crise que, segundo ele, dificultou o crédito.

Com a dificuldade de financiar um automóvel zero quilômetro, Mário conta que este ano partiu para a opção de um carro seminovo. “No geral, o sonho é sempre um carro novo, mas desta vez, estou vendo que terei que optar por um seminovo, que está mais barato”, avalia.

A enfermeira Amanda Cunha da Silva, 33, está certa de que vai trocar o seu carro 2011 por um seminovo entre os anos de 2014 e 2015. Mas, ainda não definiu a marca que vai escolher. Ela diz que quer trocar porque busca um carro maior, com capacidade de levar mais volume de bagagens para pegar a estrada. “O meu carro já deu o que tinha que dar para mim e para a minha família. Agora, nós queremos um que possa nos levar com mais segurança para Manacapuru. E como não dá para financiar um zero, vimos que o seminovo tem as suas vantagens”, observa.

Vendas
Apesar do menor número de financiamentos de carros usados, neste ano, no acumulado de janeiro a agosto, no comparativo com o mesmo período do ano passado, conforme dados da Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos (Cetip), o volume de usados leves vendidos no Amazonas foi 22,4% maior em relação aos novos. No mesmo período de 2015, o volume de usados vendido foi 5,5% menor em detrimento ao número de carros zero.

De janeiro a agosto do ano passado foram financiados 27.124 veículos leves. Desse total, 13.948 eram novos e 13.176 usados.

Já neste ano, nos oito primeiros meses de 2016, quando foram financiados 21,1% veículos leves a menos do que no mesmo período do ano passado, dos 21.399 autos financiados no Amazonas, a maioria (11.775) foram do segmento de usados, enquanto os novos foram apenas 9.624.

Depreciação menor para revenda

Ao comprar um automóvel zero quilômetro, segundo o gerente de seminovos da Solimões Veículos, João Braga, a depreciação dele ao sair da loja é de até 20%, enquanto o usado, pouco rodado, sai da concessionária com todos os opcionais, como condicionador de ar, vidro elétrico e direção hidráulica já depreciados no mercado e a perda para a revenda é menor. “Ao comprar um carro zero tem-se depreciação de até 20%. Caso eu compre um carro de R$ 40 mil, já perco no mínimo R$ 6 mil”, explica.

O especialista afirma que o volume de carros usados no mercado é grande, em Manaus, a começar pelas 15 concessionárias de marcas existentes na cidade, e todas trabalham também com o segmento de usados.

João conta que para facilitar a aquisição de veículos novos as concessionárias ampliaram o volume de financiamentos com usados, como entrada, os quais são levados para a revenda.
De acordo com João Braga, além das lojas de marcas, há um mercado paralelo de revendas de veículos expressivo na cidade, que são 90% de usados. “Temos um leque de ofertas no mercado de usados, em Manaus, muito grande”, afirma João. Ele diz, que apesar da oferta, a taxa de juros do usado é mais cara do que a cobrada para o financiamento de um zero quilômetro. Enquanto a média para o usado é de até 2% ao mês, para o zero tem variado abaixo de 1%.

Juros e preços

Apesar da taxa de juros um pouco mais alta, ele observa que o atrativo do usado será o preço.
“Hoje todo o banco tem como norma o mínimo de 20% de entrada para zero e usado. Para ter um veículo zero com zero de entrada, só com um histórico bancário espetacular. Quanto mais velho, mais cara é a taxa de juros. O zero tem taxa especial pelo banco da montadora. Mas, hoje, é só arrumar mais R$ 5 mil para dar de entrada no usado de R$ 30 mil, do que arrumar R$ 8 mil num carro zero de R$ 40 mil”, aponta o especialista.

Por Emerson Quaresma

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