Dia a dia

Criatividade burla a segurança nos presídios de Manaus

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Sacolas, bolsas e demais pertences são submetidos ao raio-x na tentativa de identificar objetos proibidos – foto: Janailton Falcão

Fundos falsos de bolsas, fraldas, comida e até mesmo as partes íntimas são alguns dos recursos usados criativamente pelos visitantes de presos na tentativa de burlar a vigilância e fazer entrar objetos não autorizados nos presídios de Manaus. Enquanto o Estado aposta na tecnologia para barrar tais objetos, os internos e seus visitantes buscam na criatividade uma maneira de aproveitar as falhas no sistema.

Dados da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) apontam que em 2015 foram apreendidos, nas oito unidades prisionais da capital, 880 objetos diversos. Desse total, 219 eram bebidas alcoólicas, 110 aparelhos celulares e 104 trouxinhas de cocaína. De janeiro a julho deste ano, já foram apreendidos 637 objetos, sendo 94 bebidas alcoólicas, 81 celulares e 54 entorpecentes.

De acordo com o secretário titular da Seap, Pedro Florêncio, durante o período em que está à frente do órgão, o caso que chamou atenção foi o uso de um bebê, com pouco mais de 6 meses de vida, para levar entorpecentes para dentro da cadeia. “A droga foi encontrada no ânus do bebê, e o material só foi detectado porque a criança fez as suas necessidades fisiológicas, e no momento em que a fralda foi retirada a droga foi encontrada. Hoje, a pessoa leva celular ou droga na bolsa, passa no raio-X e é detectada. Amanhã, ela vai colocar nas partes íntimas, elas se reinventam”, declara.

Sabendo que a imaginação dos presos e de seus visitantes é infinita para levar à cadeia objetos como armas, drogas, aparelhos celulares, entre outros, a administração penitenciária avança, intensificando o trabalho de revista naqueles que entram e saem da unidade prisional. O detector de metais é apenas um dos equipamentos utilizados para tentar encontrar algum objeto proibido.

Este ano, a Seap recebeu do Departamento Nacional Penitenciário (Depen) esteiras de raio–X, além de detectores de metais do tipo portal, banqueta e raquete.

“A raquete, nós temos em todas as unidades prisionais, enquanto o raio-X nós temos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, Centro de Detenção Provisória, no Instituo Prisional Antônio Trindade e na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP). Todos os visitantes passam pela raquete e no raio-X passam objetos, sacolas, bolsas e os pertences. As pessoas não passam pelo raio-X”, observa.

Em virtude da falta de um aparato tecnológico mais completo, a secretaria passou a fazer revistas rotineiras não apenas com a tropa de choque da Polícia Militar. Toda semana o órgão entra em determinado presídio, em determinada ala, explica Florêncio, leva os presos para a quadra, faz as revistas nas celas, nas camas e nas roupas, e se encontrar alguma coisa retira os internos que estão naquela cela. “Se eu encontro um celular na cela, nada acontece com o preso, porque isso não é crime, mas se eu encontro droga, aí sim, é um crime e ele responde por isso”, salienta.

Segundo ele, a estrutura do sistema prisional ainda é fraca e precisa ser melhorada. Ele afirma que a melhor tecnologia seria o uso do body scanner, um equipamento que tira um raio-X completo de pessoas e objetos sem precisar tocá-los, porém é muito caro e poucos Estados têm.

“As coisas entram primeiro porque não temos estrutura tecnológica suficiente para fazer um trabalho bem feito, e o número de visitantes é muito grande, de 800 a mil pessoas entram diariamente. O detector de metal banqueta quase não detecta esses celulares modernos em partes íntimas, porque a maioria dos aparelhos quase não tem mais metal; isso dificulta também”, comenta.

Por Michelle Freitas

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