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Crea-AM não participa de relatório sobre túneis, diz Seap

Passagens subterrâneas foram escavadas sem oferecer riscos à estrutura da unidade prisional – foto: Arthur Castro

Passagens subterrâneas foram escavadas sem oferecer riscos à estrutura da unidade prisional – foto: Arthur Castro

Nas próximas semanas, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) deverá divulgar um relatório sobre os túneis encontrados, desde o início de 2016, no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), no quilômetro 8 da BR-174 (Manaus – Boa Vista). A informação é do próprio secretário da Seap, Pedro Florêncio. O estudo está sendo realizado por uma comissão formada pelo órgão e pela empresa responsável pela administração dos presídios, sem a participação do Conselho Regional de Agronomia e Engenharia do Amazonas (Crea-AM), que durante a descoberta dos canais divulgou que iria colaborar com as investigações.

Em entrevista realizada no mês de maio, o presidente do Crea-AM, Cláudio Guenka, confirmou que iria solicitar junto à Seap uma autorização para fiscalizar as instalações de infraestrutura do Compaj, nas áreas dos regimes fechado e semiaberto, ocasião em que foram descobertos cinco túneis. À época, também foi levantada a suspeita de que as passagens subterrâneas poderiam ter sido feitas com orientação técnica, uma vez que as estruturas não sofreram danos em virtude
das escavações.

No entanto, Pedro Florêncio afirmou à reportagem do EM TEMPO que a Seap em nenhum momento foi procurada pela diretoria do Crea-AM para realizar fiscalizações que pudessem comprovar a participação de profissionais nas passagens subterrâneas. Segundo o secretário, o Ministério Público do Estado (MPE-AM) realizou recentemente uma vistoria no local.

“Nós fizemos a sindicância para apurar as responsabilidades. Ouvi falar que o Crea-AM participaria nas investigações, fiscalizando em parceria os túneis, mas até o momento a Seap nunca foi procurada pela entidade. O que foi feito nesse tempo é a abertura junto com a empresa terceirizada que é responsável pela administração dos presídios, para estudar a mudança nos procedimentos realizadas na segurança, visando a impedir que novos túneis sejam abertos. A comissão está reunida para apresentar um planejamento de mudança. Porque até agora o serviço tem se mostrado ineficiente. Foram diversos túneis abertos em curto espaço de tempo, isso mostra que alguma coisa está errada e todos são culpados”, avalia Florêncio.

O Crea-AM, por meio de nota, informou que, como não houve comprovação no desdobramento das investigações quanto à participação de profissionais integrantes das modalidades de abrangência da autarquia, na construção desses túneis, no Compaj, o Conselho ficou impedido de realizar quaisquer intervenções inerentes as suas atribuições, seguindo o que estabelece a legislação federal que norteia as ações dos Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia.

Por Gerson Freitas

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