Cultura

Cover: Mamonas Assassinas ‘ressuscita’ e emociona 300 fãs, no Teatro Manauara

Covers ressuscitam integrantes da banda irreverente, que morreram em trágico acidente de avião em 02 de março de 1996 – foto: divulgação

Covers ressuscitam integrantes da banda irreverente, que morreu em trágico acidente de avião ocorrido em 2 de março de 1996 – fotos: divulgação

Imagine que Dinho está no palco. Com aquelas mesmas fantasias que há 10 anos tiraram o país do sério. O narigão, o bigodão e o chapéu de padeiro do Manoel, aquele que mandou a Maria para a suruba em seu lugar.

O capacete do Robocop gay, o vestido “sensual” para coreografar o “Melô do Piripiri”, o macacão de presidiário ou o  coelhinho cinza, pulando e cantando   que “ comer tatu é  bom/ pena que dá dor nas costas/ porque o bicho é baixinho/e é por isso que eu prefiro as cabritas…”

Ao seu lado, Bento Hinoto, Júlio Rasec, Samuel e Sérgio Reoli, extraem tudo de seus instrumentos, também vestindo roupa de presidiário ou camisetas do Chapolin Colorado.  A “baixaria” toma conta do palco e você se emociona, sente saudades, chora ou simplesmente debocha.

Não. Você não está numa sessão espírita,  “incorporando” a banda que morreu naquele 2 de março de 1996. O que está rolando à sua frente, aconteceu neste sábado (6), no palco do Teatro Manauara,  onde a banda Cover Mamonas Assassinas Diet Music acabou de baixar, para felicidade de pouco mais de 300 fiéis fãs, que não esqueceram o escracho e o humor daqueles garotos de Guarulhos.

Sacrifício e recompensa

Se fechar os olhos, o espectador vai sonhar que está mesmo diante da banda original. O croner Beto Guerreiro, que faz o Dinho, não é a cara do  carismático líder dos Mamonas, mas tem a mesma compleição física, humor, escracho do original, canta e fala com uma voz parecidíssima à original.

Complementam o restante da banda cover os músicos Edu Lusan (baixo), Bocão Schneiders (guitarra), Daniel Moreno (teclado) e Diguh Marques (bateria).  Todos exibem cortes de cabelos imitando Bento Júlio, Sérgio e Samuel. As semelhanças são muitas, mas o talento musical e o espírito dos Mamonas são o que mais impresionam.

A demora para começar o show foi longa. De 22h30 até quase meia-noite, a plateia teve que ouvir o pré-show, que parecia não acabar nunca. Também faz calor na pista do Teatro Manauara, o que torna a espera ainda mais cansativa.

Mas o “ sacrifício” valeu a pena. Por volta dos 0h20, ouve-se a voz de tacoara rachada  vindo dos bastidores do  teatro. “ Atenção, vai começar a baixaria!”.

Voz, gestos e trejeitos são fielmente copiados pelos integrantes Mamonas Cover Diet Music

Voz, gestos e trejeitos foram fielmente copiados pelos integrantes do Mamonas Cover Diet Music

Os que estavam   aboletados  nas cadeiras do bar – caindo de sono – , correm para a pista e juram que estão diante dos Mamonas Originais, com o “Dinho”  à frente, vestido de coelhinho. Na plateia, crianças acompanhadas dos pais, adolescentes e  jovens senhores, que há 19 anos, quando o furacão  Mamonas varreu o Brasil tinham pouco mais de 10 anos.

Na verdade, a  baixaria começou em 1998, quando cinco garotos – também de Guarulhos  – resolveram reviver a  banda que desapareceu tragicamente  em  acidente de avião. Logo tornaram-se  pioneiros na arte Cover Mamonas Assassinas. Começaram com o nome de  Mamonas Cover Somrisal, mas logo se tornaram Mamonas Cover Diet Music.

“Queremos agradecer à família de Dinho, Samuel, Bento  Júlio e Sérgio, que nos cederam algumas peças oringinais do Mamonas, como este cenário que está aqui – explica Beto “Dinho” Guerreiro, apontando para o painel pintado com a marca dos Mamonas.

Mas não é só: repertório, figurino, fogos indoor, cenário e todas as performances de palco foram detelhadamente copiadas do show ao vivo dos orginais Mamonas Assassinas.

Volta aos ’90’

Durante duas horas, como numa viagem aos anos 1990, a banda vai desfilando todos os sucessos dos Mamonas — “Vira Vira”,  “Money que é good nóis num have, se nóis hevasse nóis num tava aqui workando”, “Chopis Centis”, “Robocop Gay”, e encerrando o show com “Pelados em Santos”, que deixou todo mundo na plateia “doidião”.

Para quem já viu, a banda cover traz de volta a emoção, a recordação e a alegria dos inesquecíveis Mamonas Assassinas. E para quem não viu, foi uma oportunidade para descobrir o espírito irreverente de Dinho e sua troupe. Foi muito bom reencontrar os garotos dos Mamonas. Ainda que fosse somente uma cópia.

Por (equipe Jornal EM TEMPO)

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