Dia a dia

Cota do rio Negro ainda não foi afetada por vazantes

Vazante-Ione-Moreno

Ontem (18), a cota do rio Negro era de 25,76 metros, conforme orientações do CPRM, considerada normal para este período do ano – foto: Ione Moreno

Mesmo com a situação de vazante crítica em diversas regiões da Bacia Amazônica, ainda não é possível prever se esse comportamento dos rios pode afetar o nível do rio Negro, que na manhã da quinta-feira (18) chegou à cota de 25,76 metros, conforme informações do Serviço Geológico do Brasil (CPRM). De acordo com o órgão, na estação de Manaus, a cota atual é considerada normal para o período.

“Apesar de algumas regiões da bacia passarem por processos críticos de vazante, ainda não se sabe de que forma isso vai impactar o nível do rio Negro, em Manaus. Assim, devemos ficar atentos porque existe a possibilidade de que a vazante ocorra de forma crítica, mas ainda não é possível fazer nenhuma afirmação”, disse a engenheira e pesquisadora do CPRM Luna Gripp Simões Alves.

Luna destacou que na bacia do rio Purus, por exemplo, as cotas observadas nos últimos dias indicam um processo crítico de vazante, já apresentando diversos impactos à população das principais calhas da região. No rio Acre, afluente do Purus, a cota mínima observada na série histórica da estação da capital Rio Branco foi atingida, registrando uma nova vazante recorde, de 1,32 metros no dia 12 de agosto.

No rio Madeira, na estação de Humaitá, o nível do rio está próximo ao observado no mesmo período de 1969, quando ocorreu a vazante histórica nessa estação. Um processo semelhante vem ocorrendo nas estações do baixo Solimões e do rio Amazonas, em que as cotas se aproximam das observadas em 2010, quando ocorreu o período mais crítico em termos de vazante no sistema Solimões-Amazonas.

Já na bacia do rio Negro, na região de São Gabriel da Cachoeira, o atual período é de início de processo de vazante, com situação normal
para a época.

Avaliações

Ainda esta semana, a Defesa Civil do Amazonas enviará três equipes de técnicos para avaliação do cenário nas calhas do Juruá, Purus e Madeira, uma vez que o órgão emitiu recentemente estado de alerta para quase todos os municípios dessas regiões por conta da estiagem. A Defesa Civil ressaltou que esse é o segundo estágio de um desastre, que pode evoluir para uma situação de emergência.

“Assim como as calhas do Juruá e Purus, o Madeira entra em alerta. Nesta fase, estamos realizando as orientações às prefeituras quanto aos procedimentos preparatórios de resposta para um possível agravamento do desastre natural, o que envolve o levantamento de dados sobre as necessidades específicas da população, bem como o levantamento de ações governamentais (estadual e federal)”, enfatizou o secretário executivo do órgão, coronel Fernando Pires Júnior.

De acordo com o último balanço da Defesa Civil, as cidades de Boca do Acre, Pauini, Lábrea, Canutama, Tapauá, Guajará, Ipixuna, Envira, Eirunepé, Itamarati, Carauari, Humanitá, Manicoré, Apuí e Novo Aripuanã já tiveram a situação de alerta decretado.

Já Beruri, na calha do Purus e Juruá, na calha do Juruá, ainda continuam em estado de atenção.

Por Gerson Freitas

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