Dia a dia

Costumes da Semana Santa se perdem no tempo

Um grupo de amigos se divertia jogando bola, na Ponta Negra, pela manhã. Feriado perdeu caráter religioso para alguns – foto: Marcio Melo

Um grupo de amigos se divertia jogando bola, na Ponta Negra, pela manhã. Feriado perdeu caráter religioso para alguns – foto: Marcio Melo

Evitar comer carne, jejuar, ficar em casa orando ou ir à igreja se confessar são costumes da Semana Santa, que ao longo dos anos vêm se perdendo. A Sexta-Feira da Paixão não é mais tão esperada como uma data para lembrar do sacrifício de Cristo, mas, sim, para curtir o feriado ou se divertir em balneários.

No último dia 25, em que foi celebrado a Sexta-Feira Santa deste ano, 30 mil fiéis participaram do trajeto da Via-Sacra, da Catedral Nossa Senhora de Fátima, no Centro, até o santuário de Nossa Senhora de Fátima, no bairro Praça 14 de Janeiro, Zona Sul. Entretanto, muitos populares também aproveitaram o dia para se divertir no Complexo Turístico da Ponta Negra, na Zona Oeste.

O arcebispo de Manaus, dom Sérgio Castriani, afirma que a sociedade está passando por uma mudança de costumes, no entanto, a comunidade cristã continua celebrando a páscoa e evidenciando os ensinamentos de Jesus Cristo.

“A igreja sempre celebra sua fé independentemente se está na moda ou não. Os cristãos hoje são minoria e a sociedade tem outros valores, mas acredito que muita gente ainda vive a Páscoa e quer viver os valores de Jesus que são anunciados no evangelho”, avalia o arcebispo de Manaus, ao ressaltar que a igreja quer trazer a sociedade para viver a solidariedade, justiça, fraternidade e doação, visando a uma convivência saudável entre irmãos.

Formação

O sociólogo Ademir Ramos explica que pela formação histórica referente à colonização que nos foi ensinada com a cruz e a espada, o calendário canônico ganhou forma no calendário civil brasileiro. Há feriados e datas especiais referente às comemorações cristãs.

Segundo ele, esse ensinamento foi estabelecendo durante anos os comportamentos da sociedade como um todo. Foram constituídos aos devotos os costumes, a dieta e as procissões, porém, salienta, ao longo dos anos os costumes foram mudando, principalmente nas grandes cidades, continuando apenas nos municípios do interior dos Estados brasileiros.

“Tudo isso muda de acordo com o contexto. No cenário urbano esses dogmas são mais flexíveis. Já no rural, as tradições cristãs são bastante preservadas”, pontua Ademir, ao afirmar que no catolicismo os santos aparecem mais que o próprio Cristo, porém, na época de Páscoa a igreja chama para si a sociedade para ensiná-la valores que têm se perdido com as mudanças nos contextos vividos em cada época. “Estamos vivendo uma mudança, passando da ética cristã para a ética secular”, observa Ramos.

Apesar das mudanças na sociedade, o sociólogo afirma que o momento das festividades de Páscoa são momentos importantes de grandes valores. “O lava-pés, por exemplo, é uma aula de humildade. Vemos também a redenção que nos ensina sobre o sacrifício, que devemos nos dispor pelo outro. A Páscoa merece ser cultuada, mas sempre respeitando a grande diversidade religiosa que há no país”, salienta.

Laços

O industriário Jorge Lima afirma que antes toda a família era adepta aos procedimentos realizados no período da Semana Santa, porém, ele viu no decorrer do tempo que alguns de seus familiares estavam deixando os costumes de lado. “Desde pequeno era tradição na minha família participar das procissões, mas as coisas mudam. Alguns não são mais católicos e outros simplesmente deixaram de lado”, declara.

Por Asafe Augusto

1 Comment

1 Comment

  1. lindon wilson

    27 de março de 2016 at 14:01

    essas pessoas com certeza não tem Deus no coração, não tiveram através de seus pais uma educação cristã, pra respeitar uma vez no ano o nosso senhor que ele em sua infinita misericórdia tenha piedade de nossas almas e converta os infieis

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir