Economia

Corrupção ‘sangra’ R$200 bilhões do Brasil

Com esse valor desviado dos cofres públicos, especialistas avaliam que o país retomaria o crescimento - foto: divulgação

Com esse valor desviado dos cofres públicos, especialistas avaliam que o país retomaria o crescimento – foto: divulgação

Com R$ 200 bilhões que são desviados anualmente dos cofres públicos brasileiros pela corrupção, o país não estaria vivendo a crise econômica pela qual passa hoje, segundo empresários e especialistas. O volume de recursos perdidos é apontado pelo advogado Antenor Batista, no seu livro “Corrupção: o 5º poder”, que foi resultado de mais de 50 anos de pesquisas sobre o assunto.

Para o presidente do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon-AM), economista Nelson Azevedo, com R$ 200 bilhões, bem aplicados, o governo brasileiro conseguiria resolver a passos mais curtos os grandes problemas nas áreas da saúde, educação, segurança e infraestrutura. “São as necessidades básicas que, quando resolvidas, melhoram a qualidade de vida das pessoas e devolvem o crescimento econômico do país”, avalia.

Azevedo, que é também vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) observa que, com parte desse valor, gargalos logísticos regionais, como a falta de portos, aeroportos e estradas, poderiam ser solucionados. E outro grande problema regional que poderia ser resolvido com parte desse volume de dinheiro desviado pela corrupção, segundo o economista, seria o problema de energia elétrica.

“A indústria do Amazonas precisa de ao menos mais um porto, porque não podemos ficar na dependência de apenas dois particulares. Quem tem dois, tem um, e quem tem um, não tem nenhum. E o nosso Estado enfrenta hoje um grande problema com a geração e a distribuição de energia elétrica”, salienta.

O presidente do Corecon-AM lembra que, quando estavam sendo construídas as estruturas para a Copa do Mundo e Olimpíada, a impressão é que o país estava crescendo. “Parecia que estávamos vivendo algo muito bom para nós. Mas, depois de tudo, continuou a cultura corrupta que ‘sangra’ o nosso país. Infelizmente, a corrupção passou a ser algo natural”, critica.

O economista sustenta que se fosse possível corrigir o mal causado pela corrupção e a verba desviada pela corrupção fosse regatada, o país não estaria no quadro de dificuldade que atravessa hoje.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Construção Civil do Amazonas (Sinduscon-AM), Frank do Carmo, observa que órgãos públicos e entidades representativas da sociedade país têm empreendido muitas iniciativas anticorrupção, o que para ele tende a conter os desvios.

Numa conta rápida, ele aponta que se os R$ 200 bilhões desviados fossem devolvidos e repartidos entre as cidades pela participação per-capita, Manaus teria direito a ao menos R$ 4 bilhões, que é o valor aproximado do orçamento municipal de 2016.

Se aplicado em infraestrutura, o valor desviado pela corrupção renderia ao país cerca de 17 mil escolas, de 3 mil metros quadrados, ao ano, ao considerar que o metro quadrado comercial de uma obra em São Paulo custa R$ 4 mil, segundo cálculo do presidente do Sinduscon-AM. Para enfrentar a superlotação dos presídios, Frank diz que, na mesma linha, o país poderia construir ao menos mais 5 mil novas unidades prisionais de 10 mil metros quadrados, ao ano.

No campo da logística, Frank aponta que o país poderia construir 165 aeroportos de 110 mil metros quadrados, se levar em consideração que esse tipo de obra custa em média de R$ 9 milhões a R$ 11 milhões. “Entendemos que esse dinheiro desviado não serve para ninguém, e se fosse bem aplicado, seria um ganho para todos, com geração de emprego e a retomada do crescimento da economia”, avalia o presidente.

O presidente apontou ainda que, tomando como base a ponte sobre rio Negro, cuja construção fechou em R$ 1,5 bilhão após uma série de aditivos, o valor desviado pela corrupção no Brasil daria para construir ao menos 133 pontes iguais a ela.

Com os mesmos R$ 200 bilhões, seria possível construir quase 154 estádios de futebol como a Arena da Amazônia, que custou ao Amazonas R$ 1,3 bilhão, também após uma série de aditivos.

Por Emerson Quaresma

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