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Correios: de medalhas a obstáculos, Olimpíada movimenta 30 milhões de objetos

Quem assiste aos Jogos Olímpicos ao vivo ou pela televisão muitas vezes não se dá conta da estrutura que existe para que a competição aconteça. Cada arena, cada jogo e cada disputa exigem equipamentos e preparação específicos. Neste ano, a realização dos jogos no Rio de Janeiro envolve a movimentação de 30 milhões de itens, entre equipamentos esportivos, móveis, utensílios, bagagens, barreiras e alambrados.

O armazenamento e transporte desses objetos estão sendo feitos pelos Correios. São 980 mil equipamentos esportivos, como 25 mil bolinhas de tênis, 2,9 mil bolas de futebol, 840 bolas de basquete. Para a competição de tiro esportivo, por exemplo, serão usados 320 mil pratos que servem como alvo para os atletas. Já os atletas paralímpicos que disputarão o goalball vão utilizar 2,3 mil vendas para os olhos. Entre as 5 milhões de peças de mobiliário que serão usadas na Vila dos Atletas e outras instalações estão 100 mil cadeiras, 72 mil mesas, 34 mil camas e colchões, 24 mil sofás e 19 mil aparelhos de televisão.

Todos esses itens isso está sendo armazenado em três centros logísticos no Rio de Janeiro, sendo dois em Duque de Caxias e um na Barra da Tijuca, em uma área total de 100 mil metros quadrados. Para o transporte dos objetos serão utilizados cerca de 170 caminhões e dois mil equipamentos de movimentação, como paleteiras, empilhadeiras, tratores e guindastes.

Logística

Cada item que entra no armazém é codificado e lançado em um sistema. Toda vez que um objeto é movimentado, passa pelo sistema para fazer o acompanhamento e, periodicamente, é feito um inventário para saber se todos os itens estão armazenados. A operação envolve um total de 2 mil pessoas entre funcionários dos Correios e terceirizados, que receberam treinamento específico.

Uma das maiores dificuldades encontradas pelos Correios na logística dos Jogos Olímpicos foi o transporte dos obstáculos das provas de hipismo, por causa do peso, do tamanho e da falta de padrão dos objetos. Por isso, a entrega desses equipamentos nos locais das provas já começa a ser feito nesta semana, mais de um mês antes do início dos Jogos Olímpicos, que começam no dia 5 de agosto.

O transporte dos cavalos, chamados “atletas equinos”, é de responsabilidade de cada atleta ou delegação, que contrata empresas especializadas para o serviço. Os equipamentos individuais dos atletas, como raquetes, também são de responsabilidade de cada um, mas as bagagens serão levadas pelos caminhões dos Correios do aeroporto para a Vila Olímpica.

Segurança

Além de objetos volumosos, os Correios estão transportando itens delicados, como as medalhas que serão entregues aos atletas campeões. Elas serão armazenadas no Comitê Rio 2016 e serão levadas pelos Correios até as arenas olímpicas com escolta. Os centros logísticos contam com segurança privada, monitoramento por câmeras e outros procedimentos que não são divulgados por questão de segurança.

Segundo o vice-presidente de Logística dos Correios, José Furian Filho, cerca de 60% da operação logística para os Jogos Olímpicos já foi concluída, o que inclui a entrega de mobiliário para a Vila Olímpica. “O que fica para ser feito durante os jogos, que é o material esportivo, entre 20% e 30%, é um volume bem menor em relação a toda operação que fazemos”, explicou Furian à Agência Brasil.

Para se ter uma ideia da importância da logística durante os jogos, podemos lembrar o caso da atleta brasileira Fabiana Murer, que não disputou uma prova de salto com vara na Olimpíada de 2008, em Pequim, pois uma de suas varas sumiu. Ela chegou a pedir a paralisação da prova e procurou o equipamento, mas não encontrou. Posteriormente, a vara foi encontrada com equipamentos de outras atletas que já tinham sido eliminadas da disputa.

Para evitar incidentes como este, já foram realizados mais de 40 eventos testes nos últimos dois anos, quando os Correios treinaram o encaminhamento correto de todos os objetos. Segundo Furian, todos os equipamentos estão separados e os kits que serão utilizados em cada jogo estão montados. “Então, ocorrer um problema como esse é muito difícil. Pode acontecer, todo mundo está sujeito a esse tipo de coisa, mas todas as providências estão sendo tomadas para que, do ponto de vista logístico. não haja qualquer problema durante os jogos”, explicou.

Os equipamentos para os Jogos Paralímpicos, como as cadeiras de rodas usadas no vôlei, tênis e basquete, também serão transportados pelos Correios. “Tem diferenças de equipamentos, alguns tipos de piso que mudam, mas a logística será basicamente a mesma”, diz Furian. A Paralimpíada começa em setembro.

A entrega dos ingressos para os jogos vendidos pela internet também é responsabilidade dos Correios. Eles serão entregues pelos carteiros na casa dos compradores.

Correios

Como empresa oficial de entregas do país, os Correios querem aproveitar os jogos olímpicos e paralímpicos para divulgar seu serviço de logística, que já é prestado em outras áreas como na entrega de urnas eletrônicas, de livros didáticos e de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), por exemplo.

“Quando se fala em Correios, todo mundo lembra do carteiro e da entrega de cartas e encomendas. Mas as pessoas não sabem que tem uma estrutura gigantesca por trás, que faz esse serviço de logística. E o nosso objetivo é mostrar que os Correios têm capacidade e é um grande operador logístico”, diz Furian.

Na Vila Olímpica, onde ficarão instaladas 18 mil pessoas entre atletas, treinadores e integrantes das delegações de 206 países, serão entregues e montados 600 mil itens como camas, chuveiros, armários, sofás, mesas e roteadores de wi-fi. Após o evento, esses itens serão doados, leiloados ou devolvidos, segundo a organização dos Jogos.

A escolha dos móveis que serão utilizados na Vila foi feita com a ajuda de atletas e ex-atletas brasileiros, que opinaram sobre o tamanho e a adequação necessária dos itens. A previsão do comitê olímpico é que em 18 de julho comecem a chegar as delegações e, no dia 24 de julho, os primeiros atletas.

Os Correios foram selecionados para o serviço por meio de um processo de concorrência internacional. Como patrocinador dos Jogos Rio 2016, os Correios investiram R$ 300 milhões, sendo que a empresa recebeu R$ 180 milhões pela contratação da operação logística.

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