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Corregedoria Geral nega ter inocentado delegado de Juruá, no interior do Amazonas

Daniel Pedreiro da Trindade foi denunciado por aliciar meninas menores no município de Juruá  - foto: reprodução

O delegado foi denunciado por aliciar adolescentes e por incentivo luta entre os presos  do município  – foto: reprodução

 

Ao contrário do que foi publicado em veículos de comunicação, a Corregedoria Geral do Sistema de Segurança Pública, nega que tenha inocentado o delegado do município de Juruá (a 671 quilômetros da capital), Daniel Pedreiro da Trindade, acusado de abusar sexualmente de cinco meninas e incentivar lutas entrem os presos da delegacia do município.

Em nota, o órgão informou que não são verídicas as informações de que tenha inocentado o delegado. Ao contrário, após investigação preliminar realizada no município foi confirmada a existência de diversos e fortes indícios de que a autoridade policial em questão tenha praticado atos ilícitos administrativos e, inclusive, criminais.

O delegado está a disposição da Polícia Civil, na Unidade de Apuração de Infrações Penais (UAIP), para análise quanto a possíveis crimes, inclusive os de abuso de autoridade, por ordenar ou executar medida privativa de liberdade individual sem as formalidades legais, ou com abuso de poder, bem como submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei.

Caso sejam comprovadas as acusações, a punição varia de advertência, suspensão de 16 a 90 dias e, inclusive, demissão.

O servidor, tendo em vista a natureza dos fatos em apuração, está suspenso por decreto da Corregedoria Geral de suas atividades à frente do 70º Distrito Policial do Município de Juruá, para que não venha a influir na apuração dos fatos.
Entenda o caso

No início de junho deste ano, o delegado do município de Juruá Daniel Pedreiro da Trindade, foi denunciado por violentar sexualmente cinco meninas do município.

As meninas têm entre 11 e 16 anos de idade e estudam nas três escolas da cidade onde o delegado regularmente fazia palestras sobre violência doméstica e perigos no uso de drogas.

Na época, a mãe de uma das vítimas do delegado relatou ao EM TEMPO que, apesar da cidade ter conhecimento do assunto ninguém faz nada. “Ele já tinha se encontrado com ela três vezes. Deu bebida pra ela, tiveram relações sexuais e agora ele ameaça toda a minha família para ninguém dizer nada”, relatou a mulher.

O delegado alega, segundo a mãe da vítima, que “namora com todas as meninas que ele leva para casa dele”. “Isso é um crime cometido por um homem da lei, alguém que deveria nos proteger. Eu não vou deixar barato. Ele não me intimida. Vou até as últimas consequências”, garantiu a mãe.

Cinco casos

A mãe da vítima de 14 anos disse ter conhecimento de outros quatro casos, inclusive com uma garota de 11 anos. “Esse delegado chegou a abusar da sobrinha de um político local, mas a família da menina preferiu abafar o caso. Depois disso, soube que a prefeitura descobriu outros quatro casos, mas nenhuma mãe quer denunciar por medo do delegado”.

Além do abuso sexual, o delegado é investigado pelo por incentivar presos a travar luta corporal nas dependências da delegacia do município.
A reportagem do EM TEMPO teve acesso a um vídeo gravado no 70º Distrito Integrado de Polícia de Juruá (a 671 quilômetros de Manaus), no qual dois presos aparecem trocando socos sob os gritos de “dispensa não, caboclo”, “vai no solto” e “na cara”.

No início da gravação, Daniel atua como uma espécie de juiz e dá início à luta, presenciada por outros presos e policiais militares.
Segundo a fonte ouvida pela reportagem, que prefere não ser identificada, o delegado obrigava os presos a participarem das sessões de luta livre.“Se eles se recusassem, teriam de brigar com os colegas de cela”, explica.

O prefeito do município, Tabira Ferreira (PSD), afirma que, há cerca de um mês, comentários a respeito da atividade começaram a circular no município. “Não cabe a mim julgar o delegado. Isso é função das autoridades competentes”.

Professor de artes marciais, Trindade desenvolve projetos de inclusão social no município desde maio de 2014. Ele classifica as denúncias como um mal entendido e se diz vítima de perseguição, cujos motivos que desconhece.

Por Mara Magalhães

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