Economia

Consumidores amazonenses atrasam até quatro meses pagamento da energia elétrica

Os consumidores não conseguem lidar com os altos valores dos boletos, causados pelo reajuste da energia elétrica, buscam na vela uma alternativa para viver com os cortes do fornecimento – foto: Marcio Melo

Os consumidores não conseguem lidar com os altos valores dos boletos, causados pelo reajuste da energia elétrica, buscam na vela uma alternativa para viver com os cortes do fornecimento – foto: Marcio Melo

Com a conta mais cara devido ao reajuste de quase 40% para o consumo residencial e a perda do poder de compra das famílias, influenciada pela crise econômica, as contas de energia elétrica, ao lado dos de água, seguem liderando no país o crescimento da taxa de inadimplência. No comparativo de maio deste ano com maio de 2015, o atraso no pagamento das contas básicas cresceu 10,71%.

No Amazonas muitos clientes como a comerciante Mariane Coimbra, 60, chegam ao ponto de não conseguir mais pagar os valores altos cobrados pela Eletrobras Amazonas Energia, principalmente por conta do reajuste autorizado pela Aneel à Eletrobras Distribuição Amazonas.

Moradora do bairro Santo Antônio, Zona Oeste, ela já acumula quatro contas atrasadas, sendo que a última deu R$ 845. Antes do reajuste ela pagava em média R$ 300 e já em dezembro de 2015 começou a receber contas no valor de R$ 700.

“Eu não passo mais roupa. Tiramos dois freezers porque queimaram e veio um da Coca-Cola, mas a conta continuou aumentando. Fui à Eletrobras e contei que estava aumentando muito. Eles disseram apenas que não podiam fazer nada porque tinham batido o martelo. Já estamos com quatro contas atrasadas. Quando a gente consegue pagar uma já tem duas ou três na frente. Aí fica difícil”, lamenta Mariane.

A aposentada de 69 anos, que não quis se identificar, conta que mora sozinha, mas mesmo assim recebeu uma conta com um valor alto. Ela que mora no bairro Raiz, Zona Sul, afirma que na passagem de fevereiro para março – quando o reajuste da energia voltou a valer por decisão judicial – a sua conta chegou a R$ 500.

“Eu moro sozinha e não tenho como pagar tudo. Aí, simplesmente eu não paguei. Quando vieram aqui para cortar a energia, contei o que estava acontecendo e depois de ir na sede da (Eletrobras) Amazonas Energia, consegui negociar o valor, que ficou em torno R$ 280”, afirma a aposentada.

RMM

O custo alto da energia elétrica não é exclusividade de usuários da capital.

Moradores de municípios da Região Metropolitana de Manaus (RMM) também sentem no bolso o aumento da tarifa na conta de luz. É o caso de um soldador de 43 anos, que não quis se identificar. Morador do bairro Alto de Nazaré, no município de Iranduba (a 25 quilômetros de Manaus) que pagava em média R$ 130, chegou a pagar em dezembro do no passado quase R$ 600.

“Em dezembro do ano passado aconteceu o primeiro aumento, logo após instalar uma bomba d’água e um ar-condicionado. A conta de luz deu R$ 580. Achei um absurdo, quase R$ 600 de conta de energia. Minha única alternativa foi colocar um ‘gato’ na ligação elétrica da bomba de água e do ar, na parte antes do contador. Desse jeito reduziu a conta no mês seguinte”, confessou o soldador.

Ele contou que a “tormenta” com os valores altos na conta de luz voltaram neste ano.
Devido à conta mais cara, ele já está inadimplente com pelo menos três faturas atrasadas. Segundo o soldador, em abril e maio deste ano, o valor ficou em torno de R$ 290, e no mês de junho, esse valor aumentou para R$ 360.

Por Joandres Xavier

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