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Conservadores vencem eleição, mas perdem maioria no Reino Unido

Das 330 cadeiras que ocupa hoje, segundo as projeções, o partido de May deve manter 314 – Reprodução/Twitter

O Partido Conservador ganhou as eleições gerais desta quinta-feira (8) no Reino Unido, mas perdeu a maioria e precisará negociar apoio de outros partidos para governar, indicam pesquisas de boca de urna. Das 330 cadeiras que ocupa hoje, segundo as projeções, o partido da primeira-ministra Theresa May deve manter 314. O Parlamento tem 650 assentos, e é preciso ter maioria para governar sozinho.

Já o rival Partido Trabalhista, liderado por Jeremy Corbyn, ganhou 37 cadeiras, passando das 229 para 266, segundo a boca de urna. A diferença para os conservadores, porém, encolhe de 101 para 48. O Partido Liberal Democrata, de centro-esquerda, deve conquistar 14 cadeiras, o que o levará a ser cortejado pelos conservadores para formar a maioria. Os locais de votação fecharam às 22h (às 18h no horário de Brasília) e os primeiros números já foram publicados logo na sequência.

Os locais de votação fecharam às 22h (às 18h no horário de Brasília) e os primeiros números já foram publicados logo na sequência

Mas a contagem oficial seguirá noite adentro, e alguns dos distritos só devem declarar os seus resultados durante a sexta-feira. O último deles, Berwick-upon-Tweed, no norte da Inglaterra, fará seu anúncio apenas ao meio-dia. A maior perdedora da eleição é Theresa May, cujo objetivo, ao convocar as eleições antecipadas, em abril passado, era justamente engordar sua vantagem em relação ao Partido Trabalhista.

O Reino Unido segue o sistema distrital para eleger seus parlamentares. Portanto, os resultados não correspondem diretamente às porcentagens de voto. Havia 46,9 milhões de eleitores registrados, e o voto no país não é obrigatório. May, que assumiu o governo no ano passado no lugar de David Cameron, queria ter uma maioria ampla entre os legisladores para ter negociar o “brexit”, a controversa saída britânica do Reino Unido, que deve ser concluída até meados de 2019.

A primeira-ministra defende um modelo duro, em que o país deixará o bloco econômico e também o mercado único, que congrega 500 milhões de consumidores europeus. Trabalhistas discordam disso. O “brexit” foi um dos principais temas que motivaram eleitores, ao lado do sistema de saúde e da educação.

Mobilizados para eleger um Parlamento que impeça os planos conservadores de um “brexit duro”, eleitores compilaram listas para o voto tático em diversos distritos do Reino Unido. As tabelas indicavam que partidos tinham maior chance de derrotar a sigla de May -a margem em alguns deles era de poucos milhares de votos.

Os partidos concentraram suas campanhas nesses assentos para reverter as pequenas diferenças. Entre eles, algumas regiões de Birmingham, Bristol e Oxford. Os conservadores, em especial, se enfocaram no centro do país, onde pesquisas apontavam declínio no apoio dos trabalhistas. Eram disputadas também as vagas que o Ukip (Partido de Independência do Reino Unido, de direita ultranacionalista) deveria perder durante o pleito -segundo as projeções, a legenda não terá nenhuma vaga no novo Parlamento.

Diogo Bercito
FolhaPress

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