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Concessionárias do Amazonas amargam queda na venda de carros

Procura por veículos novos teve desaceleração nas concessionárias da capital amazonense, que reclamam das baixas vendas no início do ano - foto: arquivo EM TEMPO

Procura por veículos novos teve desaceleração nas concessionárias da capital amazonense, que reclamam das baixas vendas no início do ano – foto: arquivo EM TEMPO

O aumento do desemprego e a falta de educação financeira estão entre os principais fatores que causaram a queda na venda de veículos no Amazonas.


Em janeiro deste ano, foram registrados em torno de 1,9 mil emplacamentos, ou 59,57% a menos do que no mesmo período do ano passado, quando foram emplacados mais de 4,7 mil veículos, segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM).

A retração das vendas no Estado acompanhou o desempenho negativo nacional. Levantamento da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostrou que, em todo o país, a queda foi superior a 30,1%. Segundo a entidade, em janeiro de 2016, foram vendidas 260 mil unidades contra 372 mil comercializadas em 2015.

Na avaliação do presidente do Detran-AM, Leonel Feitoza, o desempenho negativo é reflexo do alto número de pessoas sem emprego e do endividamento das famílias.

“Essa redução vem se estendendo desde o ano passado, quando registramos queda de mais de 38% com relação ao ano de 2014. Começamos o ano agora, então, acredito que essa recuperação seja lenta. A queda tem a ver com o número de desempregados no país que cresceu nos últimos anos”, declarou.

Segundo Feitoza, o fato de mais de 20 mil concessionárias terem fechado as portas no Brasil resultou em mais de 100 mil pessoas sem emprego, entre diretos ou indiretos. “Em 2014, nossa média (Amazonas) era de emplacar mais de 6 mil veículos novos por mês; este ano foi pouco mais de 1 mil por mês. O que tenho conhecimento, aqui no Amazonas, as concessionárias não fecharam as portas, mas sofreram um abalo grande com essa redução”, completou.

Para o diretor geral da concessionária Martins Veículos, Bruno Gaspar, a redução pode estar atrelada a outros fatores. “A redução de janeiro deste ano pode estar implicada, diretamente, pelo fato de muita gente sair de férias em dezembro e não conseguir comportar o dinheiro para um futuro investimento em um veículo. Tem a questão também de as pessoas pensarem em comprar, mas terem restrições no nome e não poderem dar continuidade na simulação, pois alguns bancos impõem diversas dificuldades. A crise também pegou muita gente de surpresa”, lembrou.

Contramão

Apesar do número reduzido de emplacamentos de veículos zero quilômetro no Estado e em outras capitais do Brasil, a gerente de vendas da concessionária Garcia Veículos, Amanda Monteiro, informou que a porcentagem no faturamento de vendas da empresa registrou crescimento superior a 100%.

“Neste janeiro (2016), tivemos um faturamento de mais de 100% em relação a janeiro de 2015. O fluxo de clientes na loja tem aumentado satisfatoriamente. É prazeroso vender bem nesse momento tão difícil de crise econômica. Inclusive, muitas agências bancárias têm ajudado nesse sentido, facilitando o número de parcelas para os compradores em 48 vezes ou até mesmo 60 vezes”, revelou a gerente que atua no ramo há mais de 10 anos.

Adiamento

A universitária Márcia Oliveira, 27, informou que deixou de efetuar a compra do seu primeiro veículo zero quilômetro por não conseguir arcar com os futuros valores das mensalidades.

Segundo ela, o veículo também necessita de outros cuidados como manutenção, por exemplo, o que o torna ainda mais caro. “Eu até pensei em comprar um carro novo, mas acontece que além das mensalidades, você precisa comprar outros itens. Então eu não pude comprar mais meu carro neste ano. Além do mais, eu ainda quase perdi meu emprego. Sei que precisarei esperar mais um pouco para que meu orçamento fique mais folgado”, revelou.

 

Por Luis Henrique Oliveira

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