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Comunidade no Tarumã reclama de infraestrutura

Moradores reclamam de infraestrutura no local e também cobram uma área de lazer para as crianças – foto: Diego Janatã

Moradores reclamam de infraestrutura no local e também cobram uma área de lazer para as crianças – foto: Diego Janatã

O que era para ser a rua 6, da comunidade São Francisco, no bairro Tarumã, Zona Oeste, é na verdade um imenso barranco coberto de mato e lixo. A falta de investimentos por parte do poder público tem isolado a comunidade que enfrenta diariamente uma maratona ao tentar sair e entrar em casa. Sem asfalto, drenagem ou meio fio, a erosão já ameaça a estrutura das residências do lugar.

Apenas uma parte da via, próximo à escola municipal Irmã Serafina Cinque, recebeu uma fina camada de asfalto. O restante ficou sem a estrutura necessária, obrigando os moradores a transpor um barranco íngreme para acessar as 17 casas situadas ao longo da ladeira. “Eu briguei para que viessem fazer esse pedaço de asfalto e não terminaram. E na prefeitura consta como se o serviço tivesse sido concluído. Chamamos os órgãos, mas eles não vêm”, denuncia a floriculturista, Ester Moreira, 52.

Para chegar em casa, os moradores tem que desviar do lixo, mato e água servida, que escorre ladeira abaixo. Na tentativa de facilitar a caminhada, eles improvisaram calçadas de cimento e distribuíram restos de construção nos locais mais críticos. A noite, o trajeto fica ainda mais difícil devido a falta de iluminação pública. “Para passar por aqui temos que ir tateando, focando com o celular. Minhas filhas cansaram de escorregar aqui e se machucar. Quando chove, elas não conseguem sair de casa e perdem aula, quando conseguem, chegam na escola sujas de lama”, informa a dona de casa, Carla Andreia dos Santos, 32.

Pessoas com dificuldade de locomoção contam com a solidariedade dos vizinhos para atravessar o barranco e chegar à avenida principal. “Um senhor, que mora no final da rua, quebrou a perna e só saía de casa deitado na rede, com os amigos carregando”, observa Andreia.

A filha da dona de casa Maria das Graças Barbosa, 59, também conta com a ajuda dos amigos para poder sair de casa. “Minha filha tem 32 anos e é deficiente. Para sair de casa, só carregada pelos vizinhos, ela quase nunca sai, só para ir a igreja. É muito triste ver esta situação”, lamenta a dona de casa.

O estado de abandono é tamanho que nem o caminhão da coleta de lixo e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) tem acesso ao local. Os sacos de lixo são depositados pelos moradores, na esquina da escola municipal. “Não entra nenhum carro aqui. Para construir as casas, os moradores tiveram que carregar os materiais de construção na cabeça”, relata a moradora Ester Moreira.

Nos dias de chuva, o tráfego fica ainda mais comprometido e as famílias colecionam prejuízos. “A água invade a casa, fica todo mundo desesperado. Já perdi guarda-roupa, geladeira, fogão. É uma tristeza”, diz Carla, que salienta que todos os proprietários possuem documento de posse dos terrenos e pagam o Imposto Sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU).

Por Ive Rylo

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