Economia

Companhias aéreas preveem impacto de quase R$ 1 milhão com fechamento do aeroporto de Parintins

A administração do aeroporto não apresentou um plano e manejo de aves e a Anac decidiu pela interdição - foto arquivo AET

A administração do aeroporto não apresentou um plano e manejo de aves e a Anac decidiu pela interdição – foto arquivo AET

Um rombo de aproximadamente um milhão de reais. É esse o valor que avaliam as companhias aéreas que voam para o município de Parintins (369 quilômetros de Manaus) após o anúncio do fechamento, por tempo indeterminado, do Aeroporto Municipal Júlio Belém. Depois de esperar por 30 dias o envio de um plano de manejo, para conter a propagação de urubus nas proximidades, aprovado pelos órgãos ambientais e a não conformidade na aderência da pista de pouso, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) resolveu interditar as operações por causa do risco aviário.

O EM TEMPO teve acesso ao documento encaminhado pelo gerente de Certificação e Segurança Operacional da Anac (GCOP), Rodrigo Flório Moser, à direção do aeroporto. Nele, o profissional deixa claro que a medida se deu em razão do não cumprimento do prazo para que a administração do aeroporto apresentasse o plano de manejo. Esse documento é exigido pelo gerenciamento do risco da fauna da Agência.

De acordo com o diretor comercial da MAP, Décio Assis, uma das duas únicas empresas que fazem o tráfego aéreo no município, a decisão vai trazer impactos significativos para Parintins.

“No ponto de vista econômico é prejudicial, tanto para cidade quanto para as empresas aéreas e de aviação executiva. De um modo geral, a cidade está isolada e isso é um fator determinante para vários fatores, inclusive, para o seu potencial econômico. Não é toda empresa, empresário ou pessoa física que vai se dispor para ir de barco para outra cidade. Passar dias para resolver alguma coisa na capital, por exemplo. O impacto vai ser bastante forte e imediato”, declarou.

A MAP transporta cerca de 100 pessoas por dia em Parintins. A Azul Linhas Aéreas transporta outros 100 passageiros. O impacto é de 200 passageiros por dia, totalizando aproximadamente um milhão de reais em 30 dias.

“O prejuízo é de todos. A companhia aérea até pode propor soluções, mas a mudança deve ser feita pela administração do aeroporto – que é feita pela prefeitura municipal. Estamos em contato direto, todos os dias, junto da Secretaria de Aviação Civil (SAC). Essa interdição é fruto de uma morosidade na solução do problema que se estende há mais de três anos. Na semana do Festival Folclórico de Parintins houve uma interdição decretada. Para as aeronaves pousarem ou decolarem foi necessário a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), entre a prefeitura e a Anac, mas não foi cumprido”, disse Décio ao ser questionado sobre as medidas que as empresas pretendem tomar sobre a interdição do aeroporto.

A direção do aeroporto enviou uma documentação que não atendeu os requisitos exigidos pela gerência do risco da fauna, o que demonstrou uma incerteza em relação às providências cobradas pela Anac. Sendo assim, para prevenir acidentes, a Agência optou em suspender as operações com exceção para casos de emergência e transporte de cargas de extrema urgência.

A interdição do aeroporto Júlio Belém pode ser suspensa a partir do cumprimento das exigências legais, segundo informações repassadas pela Anac.

O diretor comercial da MAP Linhas Aéreas questionou o prazo para o fechamento do aeródromo.

“Seria razoável que a Anac determinasse um prazo, antes do fechamento, para que as companhias aéreas fizessem um trabalho com os passageiros que já garantiram passagem para a ilha tupinambarana e, assim, evitaríamos impactos. O principal problema é o impacto social e econômico para a cidade. Nós não vendemos somente um meio de transporte, a aviação é fator fundamental para a agilidade. Quem utiliza o avião é porque precisa”, reafirmou o diretor comercial da MAP – que já deixou indisponível a opção de consulta de passagens aéreas com chegada ou saída de Parintins no site oficial da companhia aérea.

Administração do aeroporto

A administradora do Aeroporto Júlio Belém, Sofia Haidos, confirmou a medida, mas disse que na sua gestão (ela assumiu em março passado) vem se esforçando para amenizar o risco aviário no aeroporto.

“Nós temos feito nossa parte, contamos com apoio da nossa brigada de incêndio. Temos o extremo cuidado quando as aeronaves iniciam os procedimentos de pouso ou decolagem. Agora esse é um problema muito antigo decorrente da lixeira pública”, afirmou a administradora.

Uma bióloga já foi contratada pela prefeitura municipal para elaborar o plano de manejo exigido pela Agência de Aviação. Dina Carvalho disse que estranhou a medida porque vem trabalhando há algum tempo para reduzir o impacto do risco aviário.

“Nós temos dois planos de manejo de aves em funcionamento aqui no aeroporto Júlio Belém e acredito que conseguimos reduzir em muito o risco aviário”, afirmou a bióloga.

A medida da Anac entra em vigor quando for publicada no Diário Oficial da União (DOU), possivelmente já nesta quarta-feira (5). O aeroporto operou normalmente nesta terça-feira.

Táxi aéreo

O presidente do Sindicato dos Taxistas de Parintins, Raimundo Pimentel, disse que a categoria está apreensiva com a medida.

“A economia já está devagar e agora temos mais essa do fechamento do aeroporto. Estamos fechando uma oportunidade de negócios para os taxistas”.

Por Bruna Souza e Tadeu Souza

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