Cultura

Companhia de artes cênicas Ateliê 23 estreia espetáculo ‘da Silva’ nesta sexta

Produção do segmento dança-teatro, 'da Silva' tinha estreia prevista para novembro do ano passado, mas foi adiada porque o grupo teve que aguardar o recebimento do Prêmio de Dança Klauss Vianna 2015 - foto: divulgação

Produção do segmento dança-teatro, ‘da Silva’ tinha estreia prevista para novembro do ano passado, mas foi adiada porque o grupo teve que aguardar o recebimento do Prêmio de Dança Klauss Vianna 2015 – foto: divulgação

Segunda investida do Ateliê 23 na área da dança, a montagem ‘da Silva’ estreia nesta sexta-feira (2), na sede da companhia de artes cênicas. Também pela segunda vez, Eric Lima, integrante do grupo e acadêmico de Dança da Universidade do Estado do Amazonas, dirige a cena, onde atua ao lado de Geffiter Garcia.

Produção do segmento dança-teatro, ‘da Silva’ tinha estreia prevista para novembro do ano passado, mas foi adiada porque o grupo teve que aguardar o recebimento do Prêmio de Dança Klauss Vianna 2015, da Fundação Nacional de Artes (Funarte), para a montagem. Enquanto os integrantes aguardavam esse recurso, “da Silva” mudou, de um espetáculo sobre o país, para um trabalho que apresenta questões sobre a família brasileira e o universo feminino.

“O primeiro ‘da Silva’ falava, de uma maneira geral, sobre os problemas sociais e políticos do Brasil”, recorda Eric Lima. “E quando o novo elenco veio, resolvemos torná-lo algo mais pessoal, usar histórias pessoais de cada um de nós como mote para falar do todo, a exemplo do ‘Sur la vie…’ (primeira montagem de dança do Ateliê 23, dirigida por Eric)”.

De acordo com o diretor do Ateliê 23, Taciano Soares, as mulheres apareceram como as personagens principais desses depoimentos. “A partir das histórias, percebemos que tínhamos algo em comum com outras pessoas, que era a questão de nossas mães serem mulheres resistentes, batalhadoras. Apesar de o espetáculo não ser panfletário, levanta questões de violência contra a mulher e do empoderamento feminino na sociedade atual de uma maneira sutil, porém, muito sincera, até porque é baseado em histórias que realmente aconteceram”, explica Taciano.

Para ele, o protagonismo feminino surgiu de forma natural na construção de “da Silva”. “Queríamos falar de família e acabamos falando sobre mãe. E entendemos que as famílias, de maneira geral, estão pautadas em histórias muito severas de resistência da mulher sobre o marido, sobre a violência, sobre o estupro, mas que mostram que é possível dar a volta por cima”.

Técnica

Eric Lima comenta que, da realização de “Sur la vie…” até a primeira versão de “da Silva”, os atores haviam progredido até certo ponto como bailarinos. “Mas, eu precisava que a técnica em dança fosse melhor, então trocamos o elenco”, observa. Recentemente, Ana Carolina Nunes precisou deixar a produção e o próprio Eric entrou em seu lugar para dividir a cena com Geffiter Garcia. “O Geffiter e eu representamos a mulher. Vestimos o figurino (concebido e executado por Laury Gitana), mas não deixamos de ser nós mesmos”.

Um dos destaques do espetáculo é a trilha sonora autoral, com sete canções assinadas por Thaís Vasconcelos, do Ateliê 23, e Cristian Pio Avila, da banda The Stone Ramos. Essas composições vão ser apresentadas ao vivo por Taciano Soares, que canta e toca o instrumento de percussão gambá. “Os ritmos da trilha sonora são basicamente regionais. É tudo brasileiro”, adianta Eric. “A Thaís e o Cristian trouxeram propostas muito variadas. Como o estilo coreográfico varia entre danças urbanas e o contemporâneo, tem funk, samba, afro, ciranda e brega, basicamente”. Há espaço para apenas uma música não composta para “da Silva”: “Tombei”, da cantora Karol Conka. “Ela é uma figura muito forte de resistência negra feminina, e condiz com a proposta do espetáculo”, destaca Taciano.

Escolha

O diretor do Ateliê 23 revela que o público que for conferir “da Silva” poderá escolher como o espetáculo vai terminar. “Essa coautoria do público é uma proposta que começamos a investigar, com a Mostra Inútil, para o nosso novo espetáculo de teatro, que estreia no ano que vem. O ‘da Silva’ introduz, sem querer querendo, essa brincadeira de trazer o público para organizar como é que a cena termina”, afirma.

Taciano Soares acredita que será comum nas apresentações de “da Silva” a identificação, por parte da plateia, do conteúdo das cenas. “A busca dessa identificação é proposital. É uma coisa que o Eric Lima, como encenador, gosta de experimentar muito: reconhecer onde nós somos iguais como sociedade ou ser humano, e dar pitadas disso para que a plateia se sinta partícipe do espetáculo”.

Por Luiz Otávio Martins

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