Saúde e Bem Estar

Como lidar com filhos que enfrentam a autoridade dos pais

O primeiro passo é estabelecer limites na relação entre pais e filhos – Divulgação

 

O comportamento agressivo de crianças ou adolescentes direcionadas aos pais vem se tornando um importante tema no contexto da violência doméstica. Entende-se aqui comportamento agressivo ou violento como qualquer tipo de expressão verbal ou física que ameaça os pais ou visa o controle de sua autoridade parental. O objetivo final (intencional ou não) é inverter a regra usual, segundo a qual os filhos obedecem aos pais.

Porém, segundo o médico psiquiatra e psicanalista Mário Louzã, faz-se necessário excluir do rol de comportamentos agressivos os portadores de transtornos mentais graves (espectro do autismo, esquizofrenia, retardo mental etc.), uma vez que esses fazem parte dos sintomas destes transtornos. “Também não é o caso de chamar toda criança ou adolescente com comportamento agressivo de portador de ‘transtorno de oposição e desafio’, pois esta é uma saída ‘fácil’, reducionista, e não contribui para aprofundar a compreensão do problema”, explica.

Ainda de acordo com o psiquiatra, o comportamento agressivo é inerente ao ser humano, é uma característica da espécie. Em parte, relacionada à própria sobrevivência; em parte, ao comportamento que visa hierarquizar os membros do grupo.

Segundo especialistas os pais tem que impor limites aos filhos

“A criança nasce sem noção de limites. Tão logo começa a engatinhar e dar os primeiros passos, avança na exploração do meio ambiente, na tentativa de compreendê-lo e dominá-lo. A partir desse momento, precisa que os pais (e adultos, em geral) exerçam o papel de impor limites, uma vez que essa necessidade de exploração pode colocar a criança em situações de risco. Além do perigo, a imposição de regras permite que a criança adquira valores para convívio social”, ressalta Louzã.

Prevenção contra pequenos agressores

Seria possível prevenir ou evitar que os filhos se tornem agressores dos pais? Embora não haja uma garantia de sucesso, algumas regras mínimas podem ajudar a reduzir o risco dessa situação. Veja:

1. O primeiro passo é a conscientização dos pais de que é sua responsabilidade educar os filhos. Os pais são os primeiros modelos que os filhos observam e procuram se espelhar;

2. Pode, e deve, haver amizade entre pais e filhos, mas é preciso deixar claro que esta é diferente daquela que eles têm com seus coleguinhas;

3. Não há como educar sem impor limites;

4. Os limites devem ser tão claros quanto possível, de modo a não deixar dúvidas para a criança;

5. Não adianta querer poupar a criança. Se os pais não fizerem isso, a vida real o fará, de forma muito mais dura e sem piedade;

6. Pais devem estar de acordo quanto ao limite. Se um diz “não” e o outro diz “sim”, a criança aproveita a brecha e “deita e rola”;

7. Os limites podem variar gradualmente, conforme a idade da criança; da mesma forma, as recompensas e as punições;

8. É importante conversar com a criança sobre suas reações à frustração, para que ela aprenda a expressá-las de modo verbal, e não fisicamente;

9. Procure logo ajuda psiquiátrica ou psicológica.

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