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Comércio poderá demitir 6 mil funcionários no AM

Segundo o presidente da CDL Manaus, Ralph Assayag, aumento das taxas de juros é a principal causa para demissões – foto: Marcio Melo

Segundo o presidente da CDL Manaus, Ralph Assayag, aumento das taxas de juros é a principal causa para demissões – foto: Marcio Melo

Em função do aumento das taxas de juros para pessoas físicas e jurídicas, o comércio local cogita a demissão de 6 mil trabalhadores no primeiro semestre deste ano, segundo o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL Manaus), Ralph Assayag.

Em janeiro, os juros atingiram 7,67% ao mês, alta de 0,12% ponto percentual em relação a dezembro de 2015 (7,55% ao mês). Conforme Assayag, o impacto para os lojistas será direto, pois afeta as operações de crédito, que são responsáveis por 70% das vendas a prazo dos comerciantes de Manaus.

Segundo o empresário, o governo federal está na contramão da economia mundial, que nesse momento de crise, tem baixado as taxas de juros para aquecer as vendas. Ele lamentou, no caso das pessoas físicas, que mais uma vez houve aumento nos juros de todas as seis linhas (juros do comércio, cartão de crédito rotativo, cheque especial, CDC – bancos financiamentos de veículos, empréstimo pessoal – bancos e empréstimo pessoal financeiras).

“Com o aumento na taxa de juros, o produto fica mais caro e quem faz parcelamento não consegue pagar e a inadimplência aumenta. Isso é totalmente o inverso do que os outros países fazem, o governo está na contramão ao aumentar os juros. Os reflexos também serão sentidos na geração de empregos, pois ninguém vai abrir empresas e os empresários vão preferir aplicar o dinheiro para lucrar com os juros altos”, explicou Assayag.

Previsão

O empresário prevê um ano difícil para a economia amazonense e confirmou que haverá demissões no primeiro semestre, mesmo os comerciantes tentando a todo custo manter os postos de trabalho.

“Os juros altos aumentam o valor da mercadoria e o comerciante vende menos. Sem vendas as fábricas diminuem a produção e isso causam demissões. As vendas a prazo sempre foram responsáveis por 70% do faturamento, com esse quadro nesse momento não temos como não demitir. Estamos tentando não demitir, mas infelizmente a expectativa é que aconteçam seis mil demissões no primeiro semestre”, lamentou.

Segundo Ralph Assayag, somente no ano passado o Polo Industrial de Manaus (PIM), demitiu 30 mil pessoas e o comércio, 3 mil trabalhadores. Em 2016, o cenário econômico deverá ser ainda mais sombrio. Ele disse que por conta do aumento das taxas de juros aumentou a inadimplência no setor da venda de veículos e imóveis.

“Temos que cortar custos e com essas taxas de juros, a previsão é um ano de 2016 pior do o ano que passou. As perspectivas econômicas não são boas, nós vamos ter saudades de 2015. Muitas pessoas que compraram carros e apartamentos estão devolvendo porque não conseguem mais pagar. Com a chegada da Semana Santa e da Páscoa, a expectativa era de contratações no comércio. Mas, infelizmente, dos 400 postos de trabalhos previstos, devemos contratar apenas 100 pessoas e as demissões devem ocorrer mais rápido”, enfatizou.

Por Augusto Costa

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