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Comércio e indústria dizem que não é hora de o Brasil aumentar juros

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Setores são unânimes em apontar que, no lugar de taxar os juros e contrair ainda mais uma economia em crise, o governo federal deveria gastar menos – fotomontagem: Marco Dassori

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de aumentar a taxa básica de juros – a Selic – para 13,75% nesta quarta (3) foi mal recebida pelo setor produtivo brasileiro.

Em textos distribuídos à imprensa poucos minutos do anúncio, comércio e indústria foram unânimes em apontar que, no lugar de contrair o crédito, o governo federal deveria apostar na política de corte dos gastos públicos.

No entendimento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), essa sexta elevação de 0,5 ponto percentual no ‘custo do dinheiro’ atrasa a recuperação da economia, ao encarecer o capital de giro das empresas, inibir investimentos e desestimular o consumo das famílias.

Em comunicado, a CNI informou que a decisão agrava o quadro de retração da atividade industrial.

Para a confederação, o Banco Central deveria levar em conta que o aumento do desemprego e a queda da atividade econômica ajudam a segurar os preços, eliminando a necessidade de a autoridade monetária continuar a reajustar os juros.

Para o setor, a combinação das políticas fiscal (corte de gastos públicos) e monetária (juros básicos) diminuiria o impacto do ajuste econômico sobre os produtores e os consumidores.

“A indústria destaca que o esforço fiscal do governo é importante para a recuperação da confiança dos empresários e para diminuir a necessidade de novos aumentos dos juros. A combinação das políticas fiscal e monetária aliviaria o custo do ajuste para as empresas e os consumidores e permitiria a retomada gradual da produção”, assinalou o comunicado da CNI.

Fora do tom

A Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ) salienta que, ao aumentar sua taxa referencial de juros, o país  destoa de seus parceiros internacionais, com crescimento bem abaixo da média e juros muito acima do padrão.

“Estamos na lanterna em termos de crescimento e na liderança quando o assunto é taxa de juros. E a questão aqui vai além, porque o tanto pago por empresários e consumidores chega, em média, a três, quatro vezes os juros básicos da economia, quadro agravado pelo recente aumento de impostos”, comentou a entidade, em nota.

A Fecomercio-RJ aponta que, com queda da atividade, do consumo e do investimento, o desemprego avança no país, com impactos significativos no comércio e na sociedade. Diz também que, se 2015 é ano de ajustes, nada melhor do que uma reforma estrutural.

Para os comerciantes, “é hora de elevar a eficiência do gasto público, reduzir a carga tributária, incentivar o investimento e ampliar a produtividade das empresas, o que, por sua vez, ajudará a conter a inflação”.

Com informações da Agência Brasil (ABr)

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