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Comércio diz que demitirá 30% a mais do que em 2015

Estimativa do setor é reforçada pelo discurso dos empresários que dizem não ter mais “gordura” para cortar nesta crise – Foto: Márcio Melo

Estimativa do setor é reforçada pelo discurso dos empresários que dizem não ter mais “gordura” para cortar nesta crise – Foto: Márcio Melo

O comércio varejista do Amazonas poderá amargar ainda mais demissões neste ano. A perspectiva é de que o número de trabalhadores desligados seja 30% maior que em 2015.

De acordo com o presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Ismael Bicharra, mesmo com empresários tentando segurar os empregos dos funcionários o índice de demitidos em 2016 ainda será alto, pois, segundo ele, não há mais “gordura” para cortar nas empresas.

Conforme Bicharra, em 2015, no Brasil, foi registrado no comércio, aproximadamente, 1,5 milhão de desligamentos em postos de trabalho, e no comércio do Amazonas foram 30 mil demitidos. “As dificuldades que ainda enfrentamos nos mostram que as lojas vão fechar as portas e com isso chegaremos, a nível de Brasil, em mais de 2 milhões de demissões”, afirmou o presidente da ACA.

O gerente da loja Visual do Pé, Hélio Quintino, conta que a estimativa negativa de contratação é reflexo do movimento fraquíssimo nas lojas. O gerente observa que nos anos anteriores, pelo menos em períodos de datas comemorativas eram contratados cerca de 15 a 20 temporários e alguns desses se firmavam na loja e conseguiam ter a carteira assinada.

“Estamos tentando manter o quadro de funcionários que temos. Mas as pessoas estão comprando menos, e como as vendas não estão acontecendo, e o estoque está cheio, os empregos ficam em risco”, explicou.

A gerente da Loja de roupas Famy, Nágila Monteiro, afirma que em toda as lojas da empresa para qual trabalha a tentativa é de segurar os empregos que já existem para não se desencadear um ciclo negativo onde há menos pessoas empregadas e menor número de vendas por conta do baixo poder aquisitivo.

A vendedora da loja Jing Variedades, Monica Alcântara, disse que as lojas não estão suportando a queda nas vendas, e de acordo com ela, ao invés de contratar estão demitindo. “Aqui na loja tínhamos sete funcionários, e agora temos apenas três”, observou a vendedora.

Uma das ações governamentais mais criticadas pelos lojistas foi o aumento de impostos que afetou fortemente o comércio deixando os produtos mais caros, e assim como na indústria, tendo um alto índice de demissões. Para tentar uma solução, as entidades que representam os lojistas apostam na junção de forças como um fator positivo na manutenção dos empregos nos postos de trabalho.

Impostos

De acordo com a deputada estadual Alessandra Campelo, o parlamento busca combater as constantes tentativas do governo de aumentar impostos, como aconteceu ano passado com o ICMS, que subiu de 17% para 18%. “Estamos buscando aprovar projetos que possibilitem o crescimento do setor, mas, para isso, é necessária vontade política da base para dialogar com a CDL Manaus e a FCDL-AM”, disse.

Conforme a deputada atualmente no comercio local são quase 400 mil trabalhadores de carteira assinada, e contando com os informais esse número pode ultrapassar os 500 mil empregos.

Setor em queda livre, diz Fecomercio

O comércio amazonense esperava que 2016 fosse um ano melhor para setor. Porém, os números registrados em janeiro e fevereiro desanimaram os empresários. O vice-presidente da Federação do Comércio do Estado do Amazonas (Fecomercio-AM), Anderson Frota, observou que o setor está em queda livre.

“A economia está decrescendo. As perspectivas que tínhamos era que houvesse uma certa reação, mas, infelizmente não tem melhorado. Ela está em queda livre e isso preocupa todo mundo”, disse Forta. Ele explicou que economia precisa de um ambiente de confiança de instabilidade para crescer diante do Brasil que vive problemas políticos. Para o dirigente da Fecomercio, a classe empresarial é obrigada a diminuir o quadro de funcionários para gerar uma instabilidade financeira nas empresas.

“Esperávamos que 2016 trouxesse ares novos, mas infelizmente estamos tendo números bem inferiores que janeiro e fevereiro de 2015. Isso preocupa. Não depende muito da classe empresarial. Tanto o comércio, quanto a indústria e agronegócio estão esperando que o governo resolva esse clima. Isso que está levando a economia para baixo. Só vai melhor se tiver um clima de confiança e instabilidade. Quando não a clima, não há funcionamento da economia”, finalizou.

Por Asafe Augusto

Colaborou Thiago Fernando

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