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Começa a faltar produtos nas prateleiras de Manaus

Representantes do comércio reconhecem que empresários da indústria reduziram produção de produtos de mais qualidade e maior custeio com medo de que eles encalhem nas prateleiras dos supermercados do país - foto: Arquivo EM TEMPO

Representantes do comércio reconhecem que empresários da indústria reduziram produção de produtos de mais qualidade e maior custeio com medo de que eles encalhem nas prateleiras dos supermercados do país – foto: Arquivo EM TEMPO

Não é só de inflação e desemprego que se faz uma grave crise economia. A palavra “ruptura” é outro termo econômico, pouco conhecido, que começa a afetar diretamente o consumidor, nas prateleiras dos supermercados de Manaus, com a falta de produtos como os dos segmentos de limpeza, alimentação e até mesmo o hortifrúti. Estudo da NeoGrid aponta que, em janeiro deste ano, o índice de ruptura aumentou mais de 35% em relação ao mês anterior e chegou a 13,08%, patamar mais elevado desde outubro de 2014.

A dona de casa Graça da Silva Martins, 52, diz que desde dezembro começou a sentir falta de algumas marcas no supermercado onde está acostumada a fazer o rancho. A ausência desses produtos, segundo ela, veio ao encontro da mudança de hábito, na hora das compras do mês. Dona Graça conta que antes sempre procurava pelos produtos mais sofisticados, mas quando os preços começaram a subir nas prateleiras, ela começou a colocar no carrinho outros semelhantes mais baratos, principalmente os de limpeza e de higiene.

“Na hora da compra eu sempre escolhia umas marcas que eu tinha mais segurança de comprar, principalmente para lavagem de roupas, como amaciantes e sabão em pó. Algumas das marcas que eu escolhia começaram a sumir. Bem na hora que eu já estava começando a escolher pelo preço e não mais pela marca”, explica a dona de casa.

Para o vice-presidente da Associação Amazonense de Supermercados (Amase), Alexsuel Rodrigues, sócio-proprietário do Emporium Rodrigues, conjunto Vieiralves, Zona Centro-Sul, a falta de produtos é resultado do problema econômico que vive o país. Segundo ele, neste ambiente de crise, o produtor produz menos do que ele produzia e chega uma quantidade muito menor para o consumidor, tanto da agricultura quanto da indústria.

“Hoje o que está mais em falta são os supérfluos. Com a chegada da crise em 2014, o comerciante passou a sentir falta dos produtos supérfluos como um molho especial de tártaro, por exemplo. Hoje a indústria brecou essa linha que custa para ela mais caro e substituiu por produtos de alto giro. É um momento de suspense”, explica Rodrigues.

De acordo com o comerciante, os essenciais não serão atingidos. “A cadeia alimentar cobra a alta rotatividade. Conforme anda a nossa política no Brasil, nós acreditamos que esse processo continua. Vai permanecer neste ano de 2016 e vamos nos adequando às necessidades do consumidor. A expectativa é que no segundo semestre de 2017 voltemos a retornar o crescimento econômico”, avalia.

Insegurança

O presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Ismael Bicharra, que também é sócio do supermercado Matchou, bairro Novo Aleixo, Zona Norte, diz que a ruptura, a inflação e o desemprego são resultado da insegurança política social e economia pela qual passa o Brasil. “Isso faz com que os empresários freiem os investimentos. Ninguém sabe o que vai acontecer no outro dia. Estão todos com muito medo. Teremos um ano extremamente
ruim”, aponta.

Bicharra diz que os produtos de estoque, de primeira necessidade do consumidor, seguem nas prateleiras. Mas já está faltando, principalmente, produtos importados, por conta do aumento do dólar. “Na área de limpeza, alimentação, na própria hortifrúti. Está sendo muito setorizado. Não é falta total. Mas, a tendência é piorar ruptura, principalmente porque o Brasil é um país que vive com 25% de insumos e produtos importados”, salienta.

Por Emerson Quaresma

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